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Movimentos que se transformam em sons

Movimentos que se transformam em sons

Depois de conhecer o pesquisador suíço Frédéric Bevilacqua em uma residência em Portugal, a coreógrafa e também pesquisadora Thembi Rosa se sentiu instigada pela mistura da tecnologia com dança que ele propõe em seus trabalhos. Fréderic é diretor do Centro de Interação do Movimento de Música Sonora do IRCAM em Paris, e criou a plataforma CoMo, que trabalha a interação entre movimento e som por meio de um aplicativo de celular que responde com diferentes sons aos diferentes movimentos. No começo do mês de dezembro, os dois vieram ao Inhotim, junto das  as artistas Margô Assis e Dorothé Depeauw, para uma oficina de improvisação e dança, misturando a tecnologia de Fréderic aos exercícios de concentração e dança de Thembi. O encontro foi uma oportunidade de provocar nas pessoas uma percepção sobre o próprio corpo, fortalecendo a importância dessa reflexão.

A oficina “Interasomover _ coMo bamboo R-IoT” começou com os exercícios trazidos por Thembi de sua performance “Parquear”, trabalho já realizado no Inhotim em 2015. Nesse momento, o grupo foi convidado a elaborar uma coreografia espontânea usando bambus em itinerários que conectam pontos entre as pessoas, fazendo a leveza, a delicadeza, o lirismo, o tempo, o ritmo e o silêncio se encontrarem de diversas formas. Logo depois, Frèderic apresentou a plataforma CoMo aos participantes, explicando que ela foi criada com o objetivo de provocar a consciência da relação dos gestos com os sons, e a forma como elas possam ser exploradas. Depois disso, era hora de brincar com os sons e os movimentos, acionando os arquivos sonoros da plataforma CoMo com gestos, exercícios e danças improvisadas. Com um aparelho grudado ao corpo conectado ao aplicativo, era possível brincar com os sons. O braço mexia e se ouvia um barulho de chuva. As pernas levantavam e vinha o som de um relógio. Se o pé balançava, era o som de um rio… Quando todos os sons se juntavam, a dança virava uma orquestra.

Para Thembi, para a fruição de qualquer obra de arte é importante que as pessoas tenham uma percepção de seu próprio corpo. “Eu acredito que a dança pode atuar muito nesse refinamento da nossa percepção. A interação do som com o movimento permite abrir essa escuta, com a presença do corpo ativando nossos sentidos, ajudando a gente a se relacionar com os mais diversos tipos de arte. Dançar é também se entender.”

A oficina foi uma oportunidade de fazer do Inhotim, mais uma vez, um espaço para múltiplo formatos artísticos, para além das artes plásticas, se firmando como um ponto de encontro entre eles. Aqui, é possível exercer a liberdade de sentidos e descobrir as diversas provocações trazidas pelas experiências artísticas, sejam elas dentro da galeria ou fora.



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