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  • 05 de outubro de 2018

    Redação Inhotim


    artebotânicacomunidadeeducaçãoprogramação culturalvisita

    Leitura: 4 min

    Um dia de aula de expografia no museu-escola

    Um dia de aula de expografia no museu-escola

    Como é a nossa relação com as plantas, sobretudo, as medicinais? Como uma experiência multissensorial pode mudar nossa relação com a natureza? Para ajudar a responder essas questões e conscientizar sobre como podemos explorar os recursos naturais ao nosso redor de maneira sustentável, a artista australiana Janet Laurence realizou uma Residência Educativa no Inhotim, com os projetos Jovens Agentes Ambientais, Jovens Agentes, Laboratório Inhotim e Encontro Marcado.

    Por três dias, funcionárias e funcionários do Instituto, além de jovens integrantes desses projetos, tiveram contato com chás preparados com plantas cultivadas no Jardim de Todos os Sentidos. A elaboração da bebida foi feita de outra maneira: uma estrutura semelhante a de um laboratório, com balões, tubos de ensaio e um instrumento para aquecer água foram usados para a artista realizar, na entrada do Viveiro Educador, o Workshop Elixir, laboratório de expressão ecológica e sustentável que proporciona maior contato com plantas medicinais, aromáticas e comestíveis. Os participantes da Residência serviram para os colegas chás de vários sabores: hortelã, açaí da mata atlântica, alecrim e tomilho. “A grande lição desse dia é que devemos aproveitar mais a natureza, fazer mais experimentos com elementos naturais e experimentar novos sabores. Acho que esse workshop poderia ser feito com legumes, frutas e verduras”, contou a jovem Yasmin Pâmela, que participa da turma do Laboratório Inhotim de 2018.

    Para Ana Carolina Sales, bolsista de iniciação científica no Laboratório Inhotim, a Residência vai auxiliar na pesquisa que realiza no projeto. “A Janet nos ensinou outra maneira de fazer chás. Achei interessante porque isso está relacionado ao objeto do meu estudo, que é patrimônio imaterial. Estou coletando receitas de chás elaboradas na minha família para fazer aqui no Inhotim. Penso em analisar o uso medicinal dessas bebidas. O Workshop Elixir pode me ajudar no preparo das bebidas”.

    Pela primeira vez, Laurence realizou a atividade com adolescentes. “Gostei da experiência porque todos participaram e se divertiram. O Inhotim é um lugar incrível. Adorei essa união de natureza e arte. Obrigada por tudo”, afirmou a artista, emocionada.

    A supervisora de educação Júlia Torres conta que, durante a estadia de Laurence em Brumadinho, a artista manifestou muita alegria e satisfação por realizar o trabalho com adolescentes. “O objetivo do Workshop Elixir é sensibilizar as pessoas no uso dos recursos naturais de maneira sustentável, fazendo-as repensar a relação com a natureza. Para a artista, as ações educativas fazem a diferença em um espaço como um museu, pois proporciona difundir conhecimento para além dos limites de uma Instituição Cultural, algo que ela não teve em outros museus.”
    Janet Laurence é australiana e participou do IV Seminário Internacional de Educação, realizado nos dias 13, 14 e 15 de setembro.

    Educativo Inhotim

    *O projeto Jovens Agentes tem o patrocínio da Vale e da Aliança Geração de Energia, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Já o projeto Laboratório Inhotim conta com o patrocínio da Vivo, também por meio da Lei de Incentivo à Cultura. 

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    28 de setembro de 2018

    Redação Inhotim


    comunidadeeducaçãovisita

    Leitura: 4 min

    Libras: empatia e estudos para comunicar mais

    Libras: empatia e estudos para comunicar mais

    Há pouco mais de quatro meses, Selena, Fernanda e Marli, funcionárias da equipe de atendimento do Inhotim, chegaram das aulas de Pedagogia com a proposta de fazerem um grupo de estudos de Libras com a equipe de trabalho. A proposta foi abraçada pela coordenadora de atendimento do Inhotim, Sara Souza, que viu nessa ideia a oportunidade de melhorar a acessibilidade no Instituto. “Nós resolvemos, então, chamar a amiga surda de um dos nossos monitores para uma conversa, junto a um intérprete. O objetivo era entender de que forma poderíamos nos aproximar dos obstáculos enfrentados pela comunidade surda e, assim, partir para as aulas.”

    Dali em diante, um grupo de funcionários e funcionárias se reuniu para pensar em como seriam os formatos das aulas. “Conseguimos acesso a uma boa apostila e listamos uma série de videoaulas que poderiam nos dar um direcionamento. Decidimos, em conjunto, que cada um dos 20 integrantes do grupo de estudos seria responsável por um encontro”, explica Sara. Já os temas das aulas foram escolhidos de acordo com os assuntos que seriam mais abordados dentro do contexto do Inhotim, como cores, letras do alfabeto, pronomes, membros da família e saudações.

    Para Sara, uma decisão importante foi a de fazer dos encontros semanais um compromisso voluntário, só para quem realmente tivesse compromisso e interesse. “Avalio que isso foi fundamental, porque hoje, depois de quatro módulos concluídos, percebemos poucos registros de faltas. Também percebo essa atividade como um fator incentivador para o envolvimento da equipe em diversos outros temas aqui dentro. A partir do momento em que veem uma ideia que surgiu de três funcionárias se tornar realidade, conseguimos construir juntos e juntas outras metas possíveis.”

    Selena, funcionária do atendimento do Inhotim há quatro anos e uma das idealizadoras do grupo de estudos, acredita que essa experiência vá acrescentar em vários âmbitos de sua vida. “Como futura professora, eu vou precisar dominar a Libras para conversar com alunos e alunas surdos. No Inhotim, será extremamente necessário para acolher pessoas que se comunicam com Libras e mostrar todo o potencial do Parque para elas. E na vida pessoal, eu penso que isso só amplia as possibilidades de conhecer gente nova e entender o mundo de um jeito diferente.”

    Jogo Librário
    O grupo de estudos de Libras do Inhotim recebeu uma visita pra lá de especial nesta terça-feira (25/9): o projeto Jogo Librário, que desenvolve por meio de uma tecnologia social uma maneira de aprender Libras de forma divertida e interativa. Foi uma oportunidade de trocar muitas experiências, exercitar a empatia e pensar em formas de diversificar a acessibilidade no Inhotim. O jogo está participando de uma campanha de financiamento coletivo para conseguir ampliar a abordagem e fazer essa ideia chegar mais longe. Acesse para conhecer mais dessa história e colaborar para a campanha: www.catarse.me/librario.

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    29 de agosto de 2018

    Redação Inhotim


    artecomunidadeeducaçãoinhotim

    Leitura: 12 min

    Ações coletivas e sustentáveis são temas de Seminário Internacional de Educação no Inhotim

    Ações coletivas e sustentáveis são temas de Seminário Internacional de Educação no Inhotim

    O Instituto Inhotim realiza, entre os dias 13 e 15 de setembro, a quarta edição do Seminário Internacional de Educação do Inhotim: Entre sujeitos e coletividades, com foco nas transformações dos cidadãos e suas relações com o ambiente. O evento reunirá especialistas nacionais e estrangeiros para debater temas ligados a sustentabilidade, arte, cultura, ciência, educação alternativa, jogos cooperativos, metodologias educativas e diversidade. A entrada para cada dia do Seminário custa R$ 44 (inteira) e dá direito a ônibus de ida e volta, com partida de Belo Horizonte. 

    Nestes três dias, convidados do Brasil e de vários outros países – Rússia, Índia, Austrália, Argentina, Chile e Colômbia – vão apresentar experiências bem-sucedidas de transformação de sonhos individuais em ações coletivas e inspirar os participantes na criação de alternativas para construir um mundo mais sustentável, plural, colaborativo e sensível.

    Para a gerente de Educação do Inhotim, Yara Castranheira, o seminário está em sintonia com o objetivo do Instituto de ser um lugar de troca, debate e disseminação do conhecimento. “A realização de um seminário como esse reforça o potencial do Inhotim como um importante interlocutor das questões contemporâneas. A partir dos nossos acervos de arte e botânica, contribuímos com a formulação de projetos inovadores em educação e com o desenvolvimento humano. Estamos de portas abertas para discutir e pensar, junto com outros especialistas, soluções para os desafios da contemporaneidade”, avalia Yara, que participará de uma das mesas do seminário.

    A palestra inaugural ficará a cargo da bióloga colombiana transgênero Brigitte Baptiste, diretora geral do Instituto de Investigação em Recursos Biológicos Alexander von Humboldt, em Bogotá. Brigitte é uma das principais referências em temas ambientais e de biodiversidade em seu país, tendo, ainda, grande interesse nas temáticas de gênero e cultura. Outros destaques da programação são o australiano John Croft, criador da metodologia Dragon Dreaming, aplicada em mais de 52 países, e a indiana Vidhi Jain, ativista e cofundadora do Instituto Shikshantar.

    Do Brasil, participarão Suélen Brito, coordenadora da Escola de Cinema Olhares da Maré – Redes da Maré; Edgard Gouveia Júnior, arquiteto, urbanista, pós-graduado em Jogos Cooperativos e cofundador do Instituto Elos; Thiago Berto, fundador da Escola Cidade AYNI; e Guilherme Massara, psicanalista e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    O evento será realizado no Teatro Inhotim, com capacidade para 210 pessoas por dia. No segundo dia de seminário, na parte da tarde, o público poderá assistir a uma apresentação da Escola de Cordas Inhotim. Para se inscrever, é preciso adquirir os ingressos aqui. 

    Veja quem são os palestrantes:

    Brigitte Baptiste (Colômbia)

    Diretora Geral do Instituto de Investigação em Recursos Biológicos Alexander von Humboldt, Bogotá.

    Bióloga pela Pontifícia Universidade Javeriana, mestra em Estudos Latino-americanos pela Universidade da Flórida e Doutora Honoris Causa em Engenharia Ambiental e de Saneamento. É uma das maiores referências em temas ambientais e de biodiversidade em seu país, tendo participado de diversos projetos nacionais nessas áreas. Tem, ainda, grande interesse em temas de gênero e cultura. Em 2017, recebeu o prêmio Prince Claus por suas conquistas em desenvolvimento e cultura.

    Janet Laurence (Austrália)

    Artista

    Janet Laurence é uma artista australiana com exibições nacionais e internacionais. Sua prática examina nossa relação conflituosa com a natureza. A artista cria ambientes imersivos que navegam pelas interconexões entre os sistemas da natureza, explorando conceitos de cura do mundo natural. Seu trabalho está presente em museus, universidades, empresas e coleções privadas e se estende desde práticas em museus a projetos arquitetônicos e paisagísticos.

    Agustín Rodríguez (Argentina)

    Coordenador do projeto Isla Invisible – Ferrowhite Museo Taller

    Agustín Rodríguez é docente e artista. Leciona na Escola Superior de Artes Aplicadas Lino Enea Spilimbergo, em Bahía Blanca, Argentina. Em 2016, recebeu o primeiro prêmio da Bienal Nacional do Museu de Arte Contemporânea de Bahía Blanca. Sua obra questiona o vínculo entre arte e comunidade. Agustín faz parte da equipe do Ferrowhite Museo Taller, um museu-oficina, onde coordena o projeto de residências Isla Invisible.

    Suélen Brito (Brasil)

    Coordenadora da Escola de Cinema Olhares da Maré – Redes da Maré

    Suélen Brito é arte-educadora, produtora cultural, formada em pintura pela UFRJ e pós-graduanda em Gestão Cultural pelo Senac. A maior parte do seu trabalho se desenvolve no Complexo de Favelas da Maré, onde nasceu e viveu boa parte de sua história. Atua na “Redes de Desenvolvimento da Maré” desde o início da instituição. Recentemente, atuou em ações culturais e educativas no Sesc Nova Iguaçu e em Realengo.

    Cecília Vicuña (Chile)

    Artista e fundadora da plataforma digital Oysi

    Poeta, artista, ativista e cineasta chilena. Fundou a Tribo Não no Chile, em 1967, e, em 1974, cofundou Artistas pela Democracia, em Londres. Dedica-se, entre outros projetos, ao oysi.org, plataforma digital para o encontro entre ciência, artes e pensamento indígena. Considerada pioneira da performance e da arte conceitual na América Latina, tem participado de inúmeras exposições internacionais. Em 2015, foi nomeada Messenger Lecturer pela Universidade Cornell. Teve obras destacadas na Documenta 14 de Kassel e Atenas.

    Yana Klichuk (Rússia)

    Gerente de Educação da Manifesta 12

    Yana Klichuk trabalha como gestora cultural e educadora. Atualmente está a cargo do Programa de Educação e Mediação da Bienal Manifesta. Seu trabalho, em conjunto com a curadoria e a comunidade local, busca moldar estratégias a fim de situar a bienal no contexto social da cidade anfitriã e, assim, engajar diversos públicos. Klichuk trabalhou nas edições da Manifesta que ocorreram em São Petersburgo (Rússia) e em Zurique (Suíça). Atualmente, está dirigindo os programas educativos da Manifesta 12, em Palermo (Itália), e da Manifesta 13, em Marselha (França).

    Edgard Gouveia Júnior (Brasil)

    Fundador do LiveLab e da Epic Journey

    Arquiteto e urbanista pós-graduado em Jogos Cooperativos, Edgard Gouveia Júnior não se cansa de colocar as pessoas para brincar. É cofundador do Instituto Elos, do Programa Guerreiros sem Armas e do Jogo Oasis. Professor de Jogos Cooperativos do International Youth Initiative Program, MSLS na Suécia, Knowmads na Holanda e da Formação Gaia Brasília e Paraná. Gouveia é palestrante TEDx, Ashoka Fellow e consultor internacional na Europa, América do Norte e Ásia. Também é idealizador do Play The Call, uma gincana mundial online.

    Yara Castanheira (Brasil)

    Gerente de Educação do Instituto Inhotim

    Mestre em Mídias, Comunicação e Estudos Culturais com ênfase em Educação pela Universidade de Kassel (Alemanha) e pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres (Inglaterra), atualmente Yara é Gerente de Educação do Inhotim. Tem experiência em gestão de projetos educativos e culturais em instituições do Brasil e da Europa. Por meio de sua formação em Design Thinking e em Treinamento Intercultural, atua em facilitação e liderança de equipes. Seus interesses de pesquisa envolvem processos criativos e de aprendizagem.

    Lizandra Barbuto (Brasil)

    Treinadora Dragon Dreaming e cofundadora do Possibilities Institute

    Terapeuta ocupacional, especialista em Desenvolvimento Humano, Neurociência e Comportamento e em Sustentabilidade Integral, Liz Barbuto tem praticado movimento espontâneo há 15 anos. Treinada na Integrative Therapy School SAT, em Terapia Gestalt e em constelação familiar, trabalha em várias culturas pelo mundo. É cofundadora do Possibilities Institute junto com John Croft e apoia processos de desenvolvimento humano para potencializar a sabedoria coletiva, por meio do aprendizado conceitual, da natureza e de métodos participativos.

    John Croft (Austrália)

    Criador da metodologia Dragon Dreaming

    Treinador e consultor internacional nascido na Austrália, John Croft é cofundador da Fundação Gaia da Austrália Ocidental. Atua como palestrante universitário e consultor de governos na construção de comunidades, em desenvolvimento regional e em sustentabilidade ambiental. É o criador do Dragon Dreaming, metodologia que disseminou em mais de 8.500 projetos em 52 países ao longo dos últimos 20 anos. É também cofundador do Possibilities Institute.

    Thiago Berto (Brasil)

    Fundador da Escola Cidade AYNI

    Aos 30 anos, Thiago vendeu seus pertences e saiu pelo mundo. Com um ano de viagem, conheceu um projeto de educação infantil em Cusco, no Peru, e ali percebeu sua missão. Após oito meses no Peru como voluntário, seguiu viajando com o propósito de visitar projetos de educação alternativa e conheceu 40 projetos pelo

    continente americano. De volta ao Brasil, criou a Escola Cidade AYNI, resultado de horas de trabalho voluntário e de trocas com educadores de todas as partes do mundo.

    Vidhi Jain (Índia)

    Cofundadora do Instituto Shikshantar

    Vidhi é ativista pela aprendizagem do Instituto Shikshantar, em Udaipur, na Índia, atuante no processo-projeto “Udaipur como Cidade do Aprendizado”. Ela trabalha com o programa “Famílias Aprendendo Juntas” e iniciativas de desescolarização, bem como em diferentes mídias comunitárias e em ações dentro do mesmo projeto-processo. Vidhi se interessa pelo conhecimento tradicional e atualmente trabalha na Grandmother’s University (Universidade das Avós). Apaixonada pelo movimento slow food, apoia diversos festivais culinários locais. Vidhi e seu marido, Manish, estão desescolarizando sua filha Kandu.

    Guilherme Massara (Brasil)

    Psicanalista e professor do Departamento de Psicologia da UFMG

    Guilherme Massara é psicanalista e professor adjunto do Departamento de Psicologia da UFMG. Possui mestrado e doutorado em Filosofia pela USP. É membro do GT Psicanálise, Política e Cultura da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP), do Laboratório de Psicanálise e Psicopatologia da UFMG, da Sociedade Internacional de Filosofia e Psicanálise (ISSP) e da Federação Europeia de Psicanálise (FEDEPSY). Como pesquisador, suas principais áreas de investigação são clínica, estética e política.

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    16 de agosto de 2018

    Antonio Grassi


    artebotânicabrumadinhoeducaçãovisita

    Leitura: 6 min

    3 milhões de visitantes

    3 milhões de visitantes

    Quando o Inhotim abriu suas portas à visitação pública, em 2006, Brumadinho era um município pequeno, dedicado à mineração e à pecuária, sem qualquer traço de atividade turística em suas ruas empoeiradas de minério de ferro. Doze anos depois, a cidade ganhou um alfinete colorido no mapa de todo aquele que, no Brasil e no exterior, gosta de arte, de natureza e de viajar. Este agosto que começa agora trouxe um número capaz de traduzir toda essa transformação: 3 milhões. Este é o total de visitantes que estiveram em Brumadinho para conhecer as obras de arte e o jardim botânico do Inhotim.

    Este número carrega alguns significados nem sempre percebidos de imediato. Falo, por exemplo, do grande impacto da Instituição em toda a região de Brumadinho. Me refiro, ainda, à grande responsabilidade dos gestores do Instituto em manter vivos os sonhos e a sede de conhecimento das pessoas tocadas pela magia do Inhotim. Na última semana, colhemos boas notícias na área de governança e compliance, que contribuem efetivamente para a perenização do Inhotim. Já chego lá!

    Antes, é preciso entender melhor o universo do Inhotim. Para abrigar e alimentar tanta gente, dezenas de pousadas, hotéis e restaurantes pela cidade foram abertos nos últimos anos. Dos cerca de 600 funcionários diretos e indiretos do Museu, 90% são moradores da região e muitos jovens têm no Inhotim seu primeiro emprego. Por ano, são recebidas 50 mil pessoas da comunidade escolar, entre alunos e professores, com destaque para a rede pública de ensino da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

    Inhotim desenvolve trabalho de resgate histórico, preservação e desenvolvimento da cultura das comunidades do entorno; mantém uma escola de cordas com jovens da região; oferece formação para estudantes e professores a partir dos seus acervos artístico e botânico, e forma jovens protagonistas nas discussões contemporâneas.

    Seu modelo inovador e único, mesmo considerando os museus do mundo, transforma a visita às obras de arte em um encantador passeio por um imenso jardim com quase 5 mil espécies de plantas. É uma experiência que distancia o Inhotim dos museus urbanos e atrai turistas de todas as partes.

    Segundo pesquisa da Vox Populi, pouco mais da metade dos visitantes são de Minas Gerais, um terço de outros estados e mais de 10% de outros países – importante ressaltar que, durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, 20% dos visitantes eram estrangeiros.

    São 140 hectares que acolhem 23 grandes galerias – 19 permanentes e quatro temporárias – e outras 23 obras de grande escala distribuídas ao ar livre. Todas elas levando inquietação e reflexão sobre o mundo em que vivemos – traço característico da arte contemporânea. Aos 140 se somam outros 249 ha de uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural). Pelos jardins, há espécies de todos os continentes, muitas delas raras e ameaçadas de extinção.

    Por tudo isso, o Instituto Inhotim compreende que sua perenização é um compromisso com toda essa gente que frequenta ou que deseja conhecer o lugar e os acervos lá distribuídos. E, é claro, que perenização passa por excelência de gestão e transparência, de forma a atrair empresas e entidades públicas e privadas interessadas em participar do esforço de manter abertas as portas do Inhotim.

    Por isso, com muita alegria, recebemos, na semana passada, o relatório das contas de 2017 das mãos de representantes da Ernst & Young, empresa internacional de auditoria. É o quinto ano consecutivo que elas são aprovadas sem ressalva. Desta vez, a boa notícia vem acompanhada de um plano de ação com 19 produtos e procedimentos para melhoria, modernização e fortalecimento do compliance da gestão do Inhotim, preparado pela consultoria Smart Gov.

    Dentre as propostas da Smart Gov, estão incluídos criação de Código de Ética e de Conduta do Instituto Inhotim, Comitê de Ética, Compliance Officer; incentivo à adoção de medidas de integridade entre parceiros de negócio; política anticorrupção; planejamento estratégico e governança corporativa; segurança da informação e transparência; avaliação de risco e melhoria contínua; responsabilidade social; e adesão ao Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção.

    Todas essas medidas são fundamentais para a manutenção do Inhotim e têm o respaldo do Conselho de Administração. Certos de que estamos no caminho certo, agradecemos aos parceiros que nos ajudam a despertar a consciência crítica instigada pela arte contemporânea, aliada à sustentabilidade ambiental. E obrigado a cada um dos 3 milhões de visitantes que contribuíram para materializar esse sonho. Se depender da gente, os alfinetes coloridos não deixarão de se multiplicar.

    _

    Artigo publicado no jornal Estado de Minas.

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    20 de julho de 2018

    Douglas Gonçalves

    Educador


    artebotânicaeducaçãoinhotim

    Leitura: 6 min

    Julho de férias, educação e diversão no Inhotim

    Julho de férias, educação e diversão no Inhotim

    Julho é mês de férias para tanta gente e, muitas vezes, uma época de ver o Inhotim cheio de visitantes de todas as idades. Essa é também uma oportunidade de pensar em atividades que enriqueçam a experiência aqui e criem memórias. Buscamos isso com uma programação educativa que propõe ao publico mediações e brincadeiras nas quais os visitantes e as visitantes aprendam e tenham a chance de compartilharem as reflexões que surgirem a partir do contato com nossos acervos.

    Na Caça ao Tesouro, as crianças percorrem o Instituto em busca do tesouro escondido pelo “Sr. Tim” no século XIX. Pelos caminhos, obras de arte e plantas com origem de diversas partes do mundo também guardam histórias e fazem a aventura ser ainda mais especial. Na Estação Educativa para Visitantes, quem quiser dicas para o passeio ou tiver perguntas sobre o Instituto, pode fazê-las diretamente para nossa equipe educativa, que está por lá sempre à partir das 10h esperando por você. Durante as férias de julho, também tem a Estação Educativa Itinerante nas quartas-feiras, que percorre outros espaços do Parque levando as informações e dinâmicas educativas para quem se interessar. E se você gosta de desenhar, poderá participar do encontro que pretende estimular o olhar do público para a criação de desenhos inspirados nos acervos botânico e artístico do Parque. 

    As pessoas que gostam de conhecer as nossas galerias sob uma outra perspectiva têm, em julho, a chance de participar da Ativação na Galeria Cosmococa, atividade que busca entender as provocações dos artistas Hélio Oiticica e Neville D’Almeida. Também temos as visitas mediadas de todos os dias, que são gratuitas e feitas para quem deseja conhecer o Inhotim na companhia de educadores e educadoras da nossa equipe. Você pode escolher entre a temática, que neste mês aborda as técnicas e os materiais usados nas obras de arte contemporânea, ou a panorâmica, que dá ao visitante uma visão geral do Instituto.

    Todas as nossas atividades estão no nosso site. Confira!

    Programação educativa 
    Como já dizia Carlos Drummond de Andrade “ Os museus não valem como depósitos de cultura ou experiências acumuladas, mas como instrumentos geradores de novas experiências.” A programação de férias vai muito além de visitar um museu e conhecer o seu acervo, a proposta educativa do ano de 2018 é construir com os visitantes e as visitantes saberes, práticas e experiências , além de proporcionar o compartilhamento de inquietações e desafios que surgem nos encontros entre público e educadores presentes. É nesse caminho que nós, educadores e educadoras da equipe, pretendemos continuar seguindo.

    As atividades são construídas no desenrolar dos meses pela equipe que atua diretamente na Estação Educativa, um espaço em constante contato com o público do Inhotim. Para manter a elaboração de propostas educativa dinâmica, a equipe é composta por profissionais com currículos e formações interdisciplinares, contando com pessoas da área de biologia, fotografia, turismo, letras, entre outros.

    Esse grupo de propositores e propositoras têm como base os acervos botânicos, artísticos e histórico/cultural, do Instituto para sugerir uma gama de possibilidade onde quem visita o Parque é colocado em referência. A interatividade da mediação é capaz de proporcionar o compartilhamento de inquietações e desafios que surgem nos encontros entre público e educadores presentes. Para nós, o diálogo é a ferramenta mais potente de mediação, permitindo o exercício e a troca de informações. Também acreditamos na flexibilidade do roteiro durante as visitas educativas, buscando uma experiência compartilhada e dando espaço para novas perspectivas.

    Segundo a proposta educativa do Instituto Inhotim, cada educador e cada educadora tem sua autoria criativa, sua curadoria pedagógica do acervo, seus recortes ideológicos, conceitos e metodologias para mediar o acervo. Aproveitar a bagagem própria trazida por quem passa por aqui é um privilégio e um desafio que buscamos superar por meio da troca de experiências e impressões.

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