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  • 11 de dezembro de 2013

    Luiza Verdolin

    Integrante da equipe de Educação Ambiental do Inhotim


    artebienalLucy SkaerPorto Alegre

    Leitura: 3 min

    Bienal do Mercosul 2013

    Bienal do Mercosul 2013

    A Bienal do Mercosul de 2013 esteve surpreendente! A calorosa Porto Alegre fez jus ao título da 9ª edição do evento: Se o clima for favorável. Sendo esta uma pergunta, a resposta é positiva; caso tenha sido uma afirmativa, foi a mais coerente possível; se esta foi uma condição, isso justifica a incrível experiência acarretada. Ao percorrer os museus, instituições e espaços que abrigavam obras e foram berços de performances, a linha tênue entre a arte e a natureza se reforçava, trazendo uma deliciosa confusão de onde uma começa e a outra termina. A confluência entre materiais, métodos, mitos e ritos confirmou a promessa de um ambiente para defrontar-se com recursos naturais sob uma nova luz, e especular sobre as bases que marcaram distinções entre descoberta e invenção.

    Para aqueles que não tiveram a oportunidade de vivenciar, compartilho aqui uma das preciosidades da Bienal do Mercosul: Tradução da resina. A resina é uma secreção produzida pelas plantas, com finalidades e constituições específicas. Esta se tornou potencial matéria para a produção de diversos bens de consumo como ceras e gomas. Lucy Skaer utilizou resina, como matéria prima de pedras preciosas com 25 quilogramas. A obra produzida por meio da extração de resina de pinus pela fábrica de Celulose Irani, subverte as lógicas da produção industrial e cultural. Neste contexto, o trabalho de Skaer assim como tantos outros da 9ª Bienal do Mercosul, elucida como a arte “re”forma o que a natureza produz, de maneira poética e emocionante!

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    10 de dezembro de 2013

    Rodrigo Moura

    Curador e diretor de Artes e Programas Culturais do Inhotim


    arteinauguração

    Leitura: 3 min

    Risco e poesia

    Risco e poesia

    A chegada das pinturas de Luiz Zerbini a Inhotim, coincidindo com a sala de Juan Araujo e com uma mostra em torno do gênero natureza-morta, evidencia o desejo de mostrar e falar de pintura. Desde a inauguração do pavilhão de Adriana Varejão, em 2008, a pintura não ocupava um lugar de tanto destaque em nossas exposições. Com suas composições intrincadas e referências culturais complexas, as obras figurativas de Zerbini poderiam ser consideradas o ponto focal de sua apresentação na Galeria Praça, reinventando a pintura narrativa – penso na linhagem que vai da pintura religiosa renascentista à pintura histórica do século XIX brasileiro.

    Sua relação com a natureza, entendida como construção do homem, ganha uma relevância especial em Inhotim, onde os limites entre o cultivado e o natural são sempre presentes. Em Mamão Manilha (2012), um mamoeiro resiste num canteiro de obras que inclui uma pintura de Hélio Oiticica. Em Mar do Japão (2010), o contrário: são vestígios humanos que subsistem numa paisagem marinha entrópica. Os quadros geométricos e as colagens-esculturas que completam a sala mostram a inquietude do artista nos últimos dez anos de sua produção. Ao mesmo tempo lenda e exceção entre os pintores brasileiros dos anos 1980, por sua pintura solar, tropical e exuberante, Zerbini acumula 30 anos de arte mostrando que sem risco não há poesia.

    Obras de Luiz Zerbini na Galeria praça. Foto: Ricardo Mallaco

    As obras de Luiz Zerbini podem ser vistas na Galeria Praça. Foto: Ricardo Mallaco

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    05 de dezembro de 2013

    Redação Inhotim


    músicaprogramação cultural

    Leitura: 5 min

    Parceria musical

    Parceria musical

    Dois jovens artistas de Belo Horizonte, Alexandre Andrés e Rafael Martini, encerram no próximo sábado (07), a programação musical do Inhotim de 2013. Os dois possuem uma produção musical intensa, atuando como compositores, instrumentistas e intérpretes, e se apresentam um em seguida ao outro, no palco do Teatro do Inhotim, às 14h30 e 16h. Na entrevista abaixo, Andrés conta um pouco de sua trajetória, influencias na carreira e a parceria com Martini que, segundo ele ”é um músico completo”.

    Você começou a compor com apenas 15 anos. Como foi a sua trajetória na música desde então? 

    Cresci em uma casa de músicos. Minha mãe é pianista, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e meu pai flautista, também professor da UFMG e integrante do grupo mineiro Uakti. Desde pequeno tive contato com a boa música mineira e com a música erudita, tocada pelos meus pais em um duo de flauta e piano, que eles tem até hoje. Estudei música desde cedo, e aos 15 anos comecei a me interessar pela composição. Em 2008, aos 18 anos de idade, gravei meu primeiro álbum, “Agualuz”, em parceria com o poeta Bernardo Maranhão.

    Você se considera mais cantor ou compositor?

    Me considero um músico, que valoriza tanto a busca como intérprete, flautista, violonista, cantor, quanto a busca como compositor.

    Em alguns momentos da minha vida me vejo mais como compositor, normalmente quando estou vivendo o processo composicional, de criação dos arranjos e tudo mais. Já em outros momentos me sinto mais interprete, normalmente quando estou em uma turnê, lançando um CD, um novo projeto. Ou seja, na verdade tenho essas duas vertentes muito forte dentro de mim, talvez com a mesma força.

    Como suas raízes mineiras influenciam o seu trabalho?

    É inevitável que a música mineira esteja presente no meu trabalho. Acompanho artistas como o Grupo Uakti, o Clube da Esquina, dentre outros, desde pequeno. Adquiri uma bagagem musical muito grande, escutando a boa música mineira, portanto, naturalmente, tem muito da música de minas no meu trabalho.

    Qual relação você estabelece com o trabalho do músico Rafael Martini, que se apresenta no mesmo dia que você, no Inhotim?

    O Rafael é um músico completo, um grande pianista e um dos principais compositores e arranjadores de Minas Gerais, da nova geração de músicos. Conheci o Rafael em 2008 e naquela época comecei a receber muitas influências musicais do seu trabalho, com o grupo Quebra Pedra. Hoje considero ele um dos meus grandes amigos e um dos maiores parceiros no âmbito musical. Temos tocado junto desde de 2010, quando ele me convidou para fazer um show junto com o Quebrapedra e desde então a gente vem tocando bastante. Participei da gravação e de todos os shows de lançamento do CD “Motivo” e ele da gravação e dos shows de lançamento do “Macaxeira Fields”. É a segunda vez no ano que vamos dividir o mesmo palco, realizando os dois shows. Fizemos isso no meio do ano, no Festival de Inverno de São João Del Rei. Vai ser muito bacana realizar esses dois shows, que são muito bonitos, em um espaço tão especial como o Inhotim.

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    04 de dezembro de 2013

    Redação Inhotim


    artetecnologia

    Leitura: 3 min

    Arte compartilhada

    Arte compartilhada

    O Inhotim passou a integrar o acervo on-line do Google Art Project. Agora, de qualquer lugar do mundo, é possível andar pelos jardins do Instituto e conhecer as galerias e obras externas.  Nada substitui uma visita ao parque, mas a experiência de navegar pela coleção, percorrer diferentes percursos com o Google Street View e explorar mais de 90 obras de nomes como Miguel Rio Branco, Tunga e Carlos Garaicoa é, sem dúvida, estimulante. Além disso, um importante passo no sentido da democratização do acesso à arte. 

    Mais do que imagens em alta resolução e textos sobre as obras de arte,  a visita virtual guarda uma surpresa para os usuários.  Celacanto Provoca Maremoto, da artista brasileira Adriana Varejão, pode ser explorada em detalhes nunca vistos: a imagem está disponibilizada no formato gigapixel, ou seja, tem 1 bilhão de pixels. E fica mais bonita a cada zoom. 

    Google Art Project Inhotim

     Gigapixel da obra Celacanto Provoca Maremoto, Adriana Varejão. 

    Ao todo, o Google Art Project disponibiliza obras de 315 instituições culturais de diversos países do mundo, oito delas brasileiras. O acervo soma mais de 6 milhões de itens on-line. Então, não perca mais tempo: acesse o site do Google Cultural Institute e conheça o projeto. Aproveite para escolher a rota da sua próxima visita ao Inhotim. 

    Foto: Adriana Varejão, Celacanto Provoca Maremoto,  2004-2008.  Eduardo Eckenfels. 

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    03 de dezembro de 2013

    Redação Inhotim


    comunidadehistória

    Leitura: 5 min

    Simplicidade e história

    Simplicidade e história

    Um dia-a-dia tão tranquilo quanto silencioso. Casas muito simples, espalhadas pelo terreno acidentado da região.  Uma música baixa, chiada, vinda de um rádio antigo colocado na janela é um dos únicos sons que embalam a tarde. Ali vivem pessoas acanhadas, cujo olhar mistura cansaço e esperança. Por vezes, seus olhos se enchem d’agua ao relembrar da infância ou de algum familiar distante. Esse é o cenário de quem chega em Marinhos e Sapé, duas das seis comunidades quilombolas espalhadas pelo entorno do município de Brumadinho (MG). Marinhos tem cerca de 200 habitantes. Sapé, um pouco menor, abriga aproximadamente 50 casas. As duas, no entanto, carregam consigo um passado de resistência e boas histórias.

    A maioria dos moradores, principalmente os mais antigos, pode ser considerada um retrato vivo de um povo que luta por meio do trabalho. Localizada em uma região que costumava abrigar fazendas, muitos aprenderam a acordar ainda de madrugada e acompanhar os pais no serviço da lavoura. É o caso da dona de casa Maria Perpétua Socorro, 65 anos, nascida e criada em Sapé. “Quando éramos crianças, se trabalhava de sol a sol na roça. Meus pais me levavam junto com meus irmãos para ajudá-los todo santo dia. Foi assim que crescemos”, conta.

      Dona Perpétua foto Rossana MagriQuando mais nova, Dona Perpétua costumava ajudar na cozinha durante as festas típicas. Foto: Rossana Magri

    O passar dos anos fez com que a realidade mudasse um pouco. Atualmente, com as novas práticas rurais, há apenas pequenas hortas domésticas no quintal dos moradores. “Hoje, graças a Deus, não existe mais isso. Digo assim porque no passado sofríamos muito”, afirma Perpétua. Os desejos e objetivos de quem mora nas vilas também mudaram. Se antes o caminho quase que invariável era casar e continuar na região, hoje os jovens estão saindo cada vez mais para centros maiores. “Aqui não tem muito emprego, maneiras de estudar mais, então eles acabam saindo quando crescem”, conta Antônio das Graças Silva, marido de Perpétua, que tem dois filhos.

    Mas apesar da nova realidade, algumas práticas e antigos valores ainda são transmitidos de pais para filhos nas comunidades quilombolas de Brumadinho. As festas típicas e os cultos religiosos resistem ao tempo e são verdadeiros patrimônios culturais do estado. As chamadas Guardas de Congo e Moçambique, organizadas pela população, desfilam várias vezes ao ano, trazendo cores e cantos que preservam as crenças locais. Seja tocando algum instrumento, carregando a coroa ou mesmo ajudando na cozinha, o importante é não deixar morrer a tradição.

    Cortejo Congo Moc?ambique foto Rossana MagriCortejo Congo Moc?ambique mistura passado, presente e futuro. Foto: Rossana Magri

    A professora Nair de Fátima Santana, residente de Marinhos, participa desde nova das festas e ressalta que elas são fundamentais para resgatar a memória e as origens da região. “As celebrações mostram um pouco do que éramos e do que somos”, diz. De acordo com ela, há pouco tempo o termo “quilombola” ainda costumava incomodar. “Eu não gostava de ser reconhecida assim porque pensava que isso denominava alguém que sofreu, que não tinha perspectiva. Mas, com o tempo, me dei conta de que só estava negando a minha própria existência. Hoje vejo que ser quilombola é ser fruto de um povo carregado de significados. É justamente durante nossas comemorações que somos abençoados. Tentamos passar parte dessa história para as nossas crianças aqui na escola”, conclui orgulhosa.

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