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  • 20 de outubro de 2016

    Cadu Costa

    Artista e professor da UERJ e PUC Rio


    Leitura: 2 min

    Canteiro #Ensaio1nfinit0

    Canteiro #Ensaio1nfinit0

    “Exatamente – disse Albert. – O jardim de veredas que se bifurcam é uma enorme charada, ou parábola, cujo tema é o tempo; essa causa recôndita proíbe-lhe a menção de seu nome.”
    (O Jardim de Veredas que se Bifurcam – Ficções. Jorge Luís Borges)

    Essa explicação torna a imagem do jardim sempre incompleta, não linear, por vir. Mas nunca ilusória. O jardim é aberto, pois assim deve ser. Seus espaços estão em promessa aguardando o aporte de novas paisagens.

    Sabendo de sua impermanência, nosso papel é revolver o solo em esperança. A única constante é a inconstância. Habitar um território é saber que se conquista em proporção ao que se abandona, que as ferramentas utilizadas para entrar em seus diversos palácios, devem ser deixadas lá, pois não garantem a entrada no próximo. Que devemos conviver com outros espreitadores, borrar fronteiras, exercer piratarias, insurreições.
    O jardim de muros baixos que é Inhotim, esses crimes poéticos permite. Enquanto o percorremos, ele por nós caminha alterando nossas paisagens interiores, ensinando-nos que há tantos espetáculos no mundo tão transformadores quanto os emoldurados.

    Cadu,
    Inverno de 2016.

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    19 de outubro de 2016

    Lidiane Arantes

    Supervisora de Educação Ambiental


    Leitura: 4 min

    Ciência alimentando o Brasil

    A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O objetivo da semana é aproximar a população da ciência e da tecnologia através de atividades de divulgação científica, com linguagem acessível e por meios inovadores para estimular a curiosidade e motivar a população a discutir as implicações sociais da ciência e aprofundar seus conhecimentos sobre o tema “Ciência alimentando o Brasil”, escolhido pelo Ministério para ser discutido neste ano.

    Para elaboração da programação no Inhotim escolhemos três conceitos norteadores: valorização da agricultura familiar, segurança alimentar e agroecologia. Para refletir sobre esses conceitos tivemos como ponto de partida “o olhar” para o município de Brumadinho, onde estamos inseridos.

    No interior de Brumadinho, em Tejuco, temos o Assentamento Pastorinhas, um conjunto agrícola proveniente de reforma agrária. São 152 hectares de fazenda, dos quais 142 são áreas remanescentes de mata atlântica. Os 10 hectares que restam são os responsáveis para manter a renda de 20 famílias assentadas. As famílias produzem diversos cultivos que são vendidos em feiras e cuja renda é distribuída entre os assentados. Cada família tem uma área determinada para cultivar e a aposta deles foi na horticultura.

    O sistema de cultivo no Pastorinhas é o agroecológico, sem uso de venenos e com um cultivo o mais natural possível. De acordo com a Valéria, líder do Assentamento, em uma reportagem cedida ao Globo Rural, o nome Pastorinhas é em homenagem à resistência das mulheres. Além do trabalho no campo, as mulheres ainda precisam fazer o trabalho doméstico. Valéria afirma que “Pastorinhas é uma homenagem às mulheres que conduzem as famílias para uma vida melhor”. “É muito importante resguardar as sementes nativas criadas no assentamento, pois assim mantemos nosso acervo cultural, histórico e emocional. São sementes cultivadas há séculos que chegaram ao Pais pelo escravos ou são nativas do Brasil. Temos o papel de ser guardiões dessas sementes”, acrescenta Carneiro.

    20161018_ Assentamento Pastorinhas_ William Gomes-1010

    Assim, o Assentamento foi convidado para integrar as atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Inhotim por terem o compromisso de promover uma agroecologia cooperada visando a qualidade de vida em consonância com o mínimo de impactos negativos ao meio ambiente e por serem exemplo de uma prática agroecológica de sucesso que elucida os temas que desejamos discutir durante a Semana.

    Os agricultores do Assentamento criaram um banco com diversas sementes crioulas, todas de cultivos orgânicos. As sementes crioulas são um tipo antigo de sementes que guardam um repertório de seleção natural de milhares de anos. Adaptadas aos ambientes locais, são mais resistentes e menos dependentes de substâncias sintéticas. Elas contribuem para a diversidade alimentar e para a biodiversidade dos sistemas de produção. O Pastorinhas nos emprestou algumas sementes crioulas para serem apresentadas ao público, na atividade “Hoje é dia de Feira”. Além disso, durante a programação da Semana, representantes do Assentamento estarão disponíveis para um bate-papo sobre agricultura familiar. Saiba mais sobre a programação no link.

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    07 de outubro de 2016

    Lilia Dantas

    Supervisora de Arte e Educação do Inhotim


    arteeducaçãomeio ambienteprogramação cultural

    Leitura: 5 min

    Do traço ao corpo – Laboratório Inhotim visita a Cidade do México

    Em 2016 o Inhotim comemora seus 10 anos de abertura ao público. Junto com ele, o Laboratório Inhotim também celebra uma década de atividades. O projeto, que nasceu e cresceu junto com o próprio Instituto, aprendeu nestes anos a cultivar relações duradouras. Seu programa pedagógico prevê até 3 anos de formação contínua a seus participantes – jovens da região de Brumadinho –  acompanhando-os, em geral, do último ano do Ensino Fundamental até o segundo ano do Ensino Médio.

    Em sua trajetória, o Laboratório estabeleceu parcerias com artistas, museus e educadores que não apenas contribuíram para a realização de alguma atividade específica, mas que inspiraram o projeto a se repensar e propor novos espaços de descoberta e aprendizado. Uma destas parcerias teve início em abril de 2015, quando a bailarina e coreógrafa mexicana Alma Quintana esteve em Inhotim para um período de residência. Alma propôs aos jovens do Laboratório que participassem de um processo criativo que partia de desenhos, mapas, palavras e outros estímulos para transformá-los em dança. Uma espécie de exercício interpretativo, uma tradução de objeto em movimento, de história em corpo, de traço em toque. Ao final da estadia de Alma no Inhotim, sabíamos que havíamos criado algo poderoso que merecia ter continuidade.

    Durante o tempo em que esteve no Inhotim, Alma elaborou diversas oficinas para os jovens do Laboratório Inhotim. Foto: Rossana Magri

    Durante o tempo em que esteve no Inhotim, Alma elaborou diversas oficinas para os jovens do Laboratório Inhotim. Foto: Rossana Magri

    Nos meses seguintes fomos apresentados ao MUAC – Museu Universitário de Arte Contemporânea localizado na Cidade do México. O departamento de educação do museu generosamente acolheu a ideia de desenvolver com o Inhotim uma atividade em que jovens de Brumadinho e da Cidade do México participassem juntos de uma série de oficinas ministradas por Alma, conhecendo assim a cultura e os costumes uns dos outros e fazendo dessa multiplicidade de referências o material para a criação de uma coreografia a ser apresentada ao final do processo.

    Durante todo o ano de 2015 e nos primeiros meses de 2016 essa ideia amadureceu e se consolidou. Assim, no próximo dia 07 de outubro, 6 jovens e 5 educadores do Inhotim finalmente embarcam para a Cidade do México para um período de 10 dias de imersão, pesquisa e criação coletivas. No cronograma, visitas a museus e sítios arqueológicos, oficinas, ensaios, e duas apresentações: uma no próprio MUAC e outra no bairro de Santo Domingo, onde moram os jovens mexicanos que trabalharão conosco.

    Para o Laboratório, envolver adolescentes de diferentes contextos culturais em um processo colaborativo significa promover que ambos os grupos vivenciem a alteridade, que percebam e sejam percebidos em suas habilidades e limitações e que, dessa forma, aprimorem sua capacidade de conviver e se engrandecer no contato com o outro.
    Nossos viajantes vão compartilhar seus momentos favoritos dessa experiência no Instagram do Inhotim, em uma espécie de diário de bordo. Cada dia, um deles vai escrever sobre as impressões e as experiências vividas em terras mexicanas. Acompanhe nossa viagem!

    Laboratório Inhotim
    O Laboratório Inhotim, realizado pelo instituto desde 2007, atende anualmente 30 jovens moradores de Brumadinho e seus distritos rurais, matriculados na rede pública de ensino local. O projeto busca a formação continuada desses jovens para o desenvolvimento de um olhar crítico com relação à sociedade, criativo diante dos desafios e tolerante diante da diversidade.

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    22 de setembro de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Bordando a cultura quilombola e os acervos do Inhotim

    Bordando a cultura quilombola e os acervos do Inhotim

    Desde 2013, a Oficina de Bordados realizada em parceria com o SESC nas comunidades quilombola de Sapé e Marinhos, localizadas em Brumadinho, incentivam moradores e moradoras a retratar por meio da costura elementos de suas identidades culturais e históricas, além dos acervos do Inhotim. Atualmente, 25 moradores participam das oficinas, realizadas mensalmente. Neste sábado, dia 24 de outubro, é a vez das participantes e dos participantes do projeto ministrarem uma oficina de bordado no Inhotim, atividade que integra a programação da 10a Primavera dos Museus.

    Durante os encontros realizados em Marinhos e Sapé, os moradores e moradoras tiveram a chance de conhecer as técnicas dos bordados e os tipos de material que poderiam utilizar. Dessa forma, aprenderam sobre bordados sobre riscos, bordados sobre fios contáveis, além da identificação por parte do grupo de como melhor empregar o tipo de desenho, de acordo com a linha, com o tecido e com o ponto a ser trabalhado. São sempre dias muito agradáveis, em que crianças, adultos e idosos se reúnem para conversar, costurar e compartilhar a vida.

    A metodologia adotada foi a participativa com foco na troca de experiências, valores, visões de mundo e saberes entre os participantes. Essa metodologia proporcionou uma grande empatia entre o grupo, uma sensação de estímulo coletivo, valorização de um patrimônio cultural comum, que futuramente poderá ser incorporado aos produtos vendidos pelas artesãs em feiras e festas, possibilitando uma nova alternativa de gerar renda.

    Participantes elaboram juntas vários tipos de bordado durante encontros mensais. Foto: Rossana Magri

    Participantes elaboram juntas vários tipos de bordado durante encontros mensais. Foto: Rossana Magri

    A Primavera dos Museus deste ano convida as instituições museais a fazer uma reflexão sobre as trocas simbólicas, culturais e de experiências que proporcionam aos visitantes e, também, sobre a contribuição para o desenvolvimento sustentável do seu entorno. Sendo assim, surgiu a ideia de aproximar a Oficina de Bordados dos visitantes do Inhotim, levando as bordadeiras e os bordadeiros a ministrarem a atividade na qual os participantes poderão aprender um pouco da técnica que foi desenvolvido ao longo desses anos de projeto.

    Desde 2006, quando abriu as portas para o público, o Instituto auxilia no desenvolvimento da região de Brumadinho, realizando projetos que atendem a comunidade. O diretor executivo do Inhotim, Antonio Grassi, afirma que o tema da 10a Primavera dos Museus – “Museus, Memória e Economia da Cultura” – está em sintonia com o trabalho do Instituto. “O Inhotim desenvolve vários projetos sociais e educativos e impulsiona a economia criativa da região de Brumadinho, além de proporcionar uma experiência única com os nossos acervos”. E conclui: “Queremos continuar com nossa contribuição ao desenvolvimento sustentável do entorno de Brumadinho. Nós só cresceremos se todos crescerem juntos”.

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    14 de setembro de 2016

    Claudia Andujar

    Artista com obras em exposição no Inhotim


    arte

    Leitura: 3 min

    O aroma da floresta Yanomami no Inhotim #Ensaio1nfinit0

    O aroma da floresta Yanomami no Inhotim #Ensaio1nfinit0

    Vejo a galeria Claudia Andujar como obra permanente, um trabalho que comunica uma intimidade com um povo indígena amazonense, recentemente conhecido, os Yanomami, cuja vida e cultura me marcou profundamente.   Ela é o que mais me liga ao tortuoso caminho da vida, e me faz acreditar na importância de ter tido a oportunidade de compartilhar com  eles sua cultura, o conhecimento de sua vida.

    Através desse trabalho de uns 40 anos, tenho agora a oportunidade e liberdade de oferecer meu olhar aos outros, de mostrar como enxergo esse povo. Eu espero que quem vem conhecer os Yanomami no pavilhão, em Inhotim, compartilhe  o que enxerga e entendam como vejo minha ligação com a vida deles, um povo que vive no meio da floresta Amazônica,  junto dela, e dependendo dela.

    É uma população que continua a falar sua língua ancestral, ou vários dialetos da mesma língua, unidos pela crença e pratica  do xamanismo,  eles se comunicam através dela com o mundo dos espíritos para remediar os males que os afligem.

    blog andujar2

    Galeria reúne cerca de 500 fotos da artista. Foto: Daniela Paoliello

    Os vários conjuntos de imagens estão lá para proporcionar o aroma da floresta, encontrar o olhar desse povo, o êxtase  do xamanismo. Elas estão lá para contemplar as luzes das malocas que levam  ao caminho do mundo de cima, um primeiro mundo, cujos seres caíram para formar o mundo em que vivemos hoje, nosso mundo, a momentos de amor pelo outro, e aos perigos do contato com o mundo dos brancos.

    Encontrei em Inhotim amigos que me ajudaram a criar o pavilhão, entre outros, o curador Rodrigo Moura, que compreendeu meu pensamento e me  ajudou a transmitir a mensagem dos conjuntos de imagens.  Trabalhamos cinco anos juntos. O dono de Inhotim, Bernardo, que me permitiu realizar esse sonho.  Ele me hospedou inúmeras vezes, com muita atenção, em sua casa, em Inhotim,  durante a montagem do pavilhão.

    Eu dei minha alma a esse projeto.

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