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  • 08 de outubro de 2014

    Francisco Bosco

    Poeta, letrista, filósofo e escritor. Filho do músico João Bosco.


    músicaprogramação cultural

    Leitura: 6 min

    Passagem de som

    Passagem de som

    Eis uma cena que venho testemunhando inúmeras vezes, já há muitos anos: quando João Bosco vai testar o som, com o teatro ainda fechado, horas ou momentos antes de iniciar o show, as poucas pessoas que, de algum modo, podem estar por ali, vão, aos poucos, interrompendo seus afazeres. Algumas chegam a sentar nas poltronas, como se fossem o público oficial, atraídas pelo que se passa no palco. Ali está João Bosco interpretando músicas de seu repertório doméstico, íntimo, afetivo. Canções que nunca gravou, nem mesmo executou publicamente. Um repertório surpreendente, que percorre desde standards do jazz a trilhas de cinema, passando por clássicos do nosso cancioneiro, invariavelmente reinventados nos termos próprios do seu universo musical. Ninguém se levanta até que aquela apresentação particular tenha fim. Não foram poucas as vezes que já o vi ser aplaudido, ali, no aquecimento, antes mesmo de a bola rolar.

    Nada mais apropriado para tornar propriamente pública essa cena, pela primeira vez, do que fazê-lo no ambiente experimental do Inhotim, no próximo domingo, 12/10, às 15h. A passagem de som é uma experiência musical protegida das dimensões comerciais e industriais, tantas vezes banalizadas, da música popular. É a cena da pura artesania, do amadorismo, da informalidade das formas mais avançadas, do artista como se estivesse a sós com suas ideias e desejos musicais. É o território da plena liberdade criativa, que uma instituição como o Inhotim acolhe e propicia.

    Experimental, o show terá João Bosco apresentando suas leituras particulares de clássicos e pérolas obscurecidas pelo tempo, e conversando com o público sobre elas. Ele fala sobre as canções, seus autores, seus modos de pensar a música e os modos como ele, João Bosco, as repensou. Música e metamúsica, portanto.

    O repertório inclui supresas, como a versão do standard “My favourite things”, já radicalmente transcriado por John Coltrane, que, em passos gigantes, transformou a canção ingênua da trilha de A noviça rebelde em um transe jazzístico sem qualquer inocência. João Bosco dá outro salto e conduz a canção a Áfricas que ela jamais imaginou conter.

    Em “Estate”, consagrada por João Gilberto no disco Amoroso, João Bosco submete a canção a um pensamento musical como que oposto ao do pai da bossa nova. Se João Gilberto tinha por método repetir a canção várias vezes, aprofundando-a como numa espécie de mantra, numa circularidade característica da música modal, João Bosco leva a canção a uma espécie de discussão, criando para ela um improviso especial e uma melodia alternativa, paralela à original que tocamos abstratamente em nossa memória.

    Num tal cenário físico e mental, o artista mineiro não poderia deixar de trazer à tona suas próprias Minas Gerais. É assim que ele interpreta o clássico seresteiro “Noite cheia de estrelas”, de Cândido das Neves (morto em Conselheiro Lafaiete, em decorrência de uma pneumonia adquirida no sereno de uma serenata), articulando-a ao clássico universal “Because”, dos Beatles, tornados música mineira pela borgiana influência retrospectiva que neles exerceu o Clube da Esquina, e faz o percurso musical desaguar em “Caça à raposa”, com o barroquismo onírico de suas melodia e letra.

    Minas ainda retorna quando João Bosco uni o samba “João do Pulo” (também dele e Aldir Blanc) à sua leitura de “Clube da esquina 2”. A associação, aqui, é, digamos, sócio-musical. O campeão mundial brasileiro, negro, que teve a perna amputada, é identificado à ambiguidade da música de Milton Nascimento, tão objetivamente triste, tão subjetivamente alegre. Como se em ambos se revelasse a própria ambivalência brasileira, seus problemas sem solução, suas soluções sem problemas. Nosso mesmo núcleo originante de venenos e remédios, para usar a expressão de José Miguel Wisnik.

    Muito mais há: “Invitation” (Bronislaw Kapper), “Lujon” (Henry Mancini), “April child” (Moacir Santos), “Medo de amar” (Vinicius de Moraes), além de alguns dos sempre esperados sucessos de sua autoria. Mas não devo estender tanto esse texto. O som de João Bosco passa, no Inhotim, por grandes ideias musicais – iluminando-as, ressignificando-as, mostrando aproximações insuspeitadas e diferenças singulares – como quem passeia pelas obras nos jardins realizando seus próprios percursos mentais. Parafraseando o crítico literário, é um caso atípico, e imperdível, de ideias dentro do lugar.

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    06 de outubro de 2014

    Redação Inhotim


    educaçãomeio ambienteprogramação cultural

    Leitura: 4 min

    Semana da Criança no Inhotim

    Semana da Criança no Inhotim

    Para comemorar a Semana da Criança, o Inhotim apresenta uma programação especial entre 11 e 17 de outubro, com ações que se estendem até o fim do mês. As equipes do Instituto prepararam atividades lúdicas e educativas variadas, que incluem também os mais velhos! Confira abaixo e programe-se:

     

    Caça ao Tesouro

    Bússolas, mapas e enigmas ajudam os participantes a encontrar um tesouro escondido nos jardins do Inhotim.

    Quando: 11/10 (sábado) e de 14 a 17/10 (terça à sexta-feira), às 11h e às 14h

    Saída: recepção

    caça ao tesouro

    Colônia Pequenos Propositores

    Atividades em período integral para crianças de 4 a 7 anos. Pela manhã, enquanto os pais visitam o Inhotim, são realizadas atividades educativas. À tarde, eles são convidados a integrar uma ação criada pelas crianças e educadores.

    Quando: 12/10 (domingo) e 14/10 (terça-feira), de 11h às 12h30 e de 14h às 16h30

    Saída: recepção

    Limite de 10 vagas por dia. As inscrições podem ser feitas pela Central de Informações: info@inhotim.org.br

    Colônia de Ferias Inhotim

    Circuito Entre Borboletas

    Além de possuírem cores e formas incríveis, as borboletas têm grande importância para os ecossistemas. Em uma expedição pelo parque que leva até o Viveiro Educador, os visitantes descobrem curiosidades sobre a vida desses animais. A atividade é fruto de uma pesquisa científica desenvolvida no Inhotim, em 2013, que mapeou as espécies de borboletas existentes na área de visitação.

    Quando: 04, 05, 11, 12, 25 e 26/10 (sábados e domingos), às 10h30

    Saída: recepção

    Borboletas

    Espetáculo

    Buraco – dança para crianças

    Com passagens por Berlim, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a peça chega ao Inhotim e promete surpreender crianças e adultos. Para a coreógrafa Elisabete Finger, buracos são mais que simples aberturas: “são passagens para outros lugares, são portais para outros mundos”. Esse universo ganha vida com a coreografia, que explora relações espaciais como dentro e fora, vazio e cheio, aberto e fechado. A apresentação será seguida de uma oficina na qual as crianças podem interagir com o cenário da peça.

    Quando: 10 a 12/10. Sexta-feira e sábado, às 15h, domingo, às 13h30

    Local: Teatro do Centro de Educação e Cultura Burle Marx

    Entrada por ordem de chegada, 30 minutos antes do espetáculo. Lotação: 210 lugares. Oficinas: sábado, às 16h30, e domingo, às 13h. 25 vagas por dia. As inscrições podem ser feitas pela Central de Informações: info@inhotim.org.br

    Buraco

    Compre seu ingresso com antecedência aqui e aproveite a Semana da Criança no Inhotim.

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    30 de setembro de 2014

    Equipe de mediadores

    Realiza visitas e atividades que convidam a refletir sobre os acervos do Inhotim


    arteinauguraçãovisita

    Leitura: 3 min

    O jardim e outros mitos

    O jardim e outros mitos

    Desde o início de setembro, o Inhotim apresenta a mostra individual O jardim e outros mitos, da romena Geta Br?tescu. Ocupando parte da Galeria Lago, a exposição reúne trabalhos produzidos a partir da década de 1960 até 2012, e apresentam um amplo espectro da produção da artista e suas percepções sobre a condição feminina e o fazer artístico.

    Atualmente com 88 anos, Geta Br?tescu estudou na Faculdade de Letras e no Instituto de Belas Artes de Bucareste. Assim como em outras ditaduras do Leste Europeu, a cena artística romena ficou dividida entre a “arte oficial”, cujo objetivo era a propaganda do Estado, e as produções que surgiam fora das instituições públicas, de forma marginalizada. Foi nesse contexto que Br?tescu produziu durante três décadas e atuou como ilustradora do jornal cultural Secolul 20. Alguns trabalhos feitos para a publicação podem, inclusive, ser vistos na mostra.

     

    Nuduri

    Desenhos de carvão e nanquim sobre papel da série “Nuduri” (1975), parte da exposição “O jardim e outros mitos”.

    Colagens, litografias, ilustrações de livros, fotografias, gravuras, tapeçarias, filmes experimentais e vídeo-performances estão entre os suportes utilizados por ela. No Inhotim, alguns de seus trabalhos trazem referências da antiguidade clássica e da mitologia grega. É o caso da série Medea, representação da personagem mítica que trai a família para viver com seu grande amor, Jasão. Ao descobrir-se trocada por outra mulher, Medeia tira a vida de seus próprios filhos como forma de vingança.

    Como outros artistas, Br?tescu visitou áreas industriais do país e lançou mão desse contexto como fonte de inspiração para sua produção. A forma circular das caldeiras, dos medidores de pressão, das rodas dos trens de ferro pode ser observada em várias obras, como Circles (2012). Seria o círculo um princípio metafórico? O regime comunista da Romênia poderia ter seus momentos de ascensão e queda narrados por meio da figura do círculo? Essas são apenas algumas reflexões que emergem do trabalho da artista. Não deixe de conferir!

    Magno Silva, educador de arte do Instituto Inhotim

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    25 de setembro de 2014

    Rosalba Lopes

    Gerente de Pesquisa, Projetos e Patrimônio do Instituto Inhotim


    artebotânicacomunidadeexposiçãoprogramação cultural

    Leitura: 3 min

    Beleza cotidiana

    Beleza cotidiana

    Até 28 de setembro, próximo domingo, o Inhotim participa da Primavera de Museus, evento nacional promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), que, em 2014, traz o tema Museus Criativos. Entre as atrações da programação do Instituto, está a exposição Beleza Cotidiana, uma proposta de apresentar a relação que os brumadinenses estabelecem com o belo, convidando à reflexão sobre a sensibilidade humana e suas múltiplas manifestações.

    Os laços afetivos e a vida cotidiana também são temas acessados pelas imagens que o fotógrafo Marcelo Coelho produziu com maestria, ao enquadrar as orquídeas cultivadas nas casas dos moradores do município. Nas narrativas que compõem a exposição, é possível perceber um pouco da subjetividade dos cidadãos deste município, cuja riqueza cultural se expressa no senso artístico de seus músicos, na religiosidade e ritmos marcantes das Guardas de Congado e Moçambique. Enfim, na manutenção de rituais que ainda fazem ver a herança rural sobrevivente nessa sociedade em rápida transição para os padrões urbanos que marcam o modo de vida contemporâneo.

    Nas flores e frases, morte, memória, vida, celebração e a importância do cuidar se revelam em uma explosão de beleza, harmonicamente apresentada em projeto expográfico de Esther Mourão (Ticha). Temas e flores que também surgem do trabalho delicado das artesãs do Médio Vale do Paraopeba que, com seu fazer, descortinam uma primavera construída por mãos humanas, conforme se vê nos arranjos florais que compõem a exposição.

    Beleza Cotidiana resulta, ainda, de um persistente trabalho de pesquisa realizado em Inhotim, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o território e, assim, propor ações que valorizem a identidade local. Somente no âmbito desse conjunto de pesquisas seria possível a escuta que nos coloca frente a interrogações como a de Ângela Magela, cultivadora de orquídeas em Brumadinho, ao questionar: “A beleza é insofismável, não é?”.

    Convidamos você a mergulhar neste universo de beleza e sensibilidade.

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    25 de setembro de 2014

    Redação Inhotim


    arteprogramação cultural

    Leitura: 4 min

    Hélio Oiticica nas telonas de BH

    Hélio Oiticica nas telonas de BH

    Nesta quinta-feira, 25/09, estreia em Belo Horizonte o documentário Hélio Oiticica, um mergulho na trajetória do carioca homônimo que uniu reflexão à criação artística. Produzido em 2012 pela Guerrilha Filmes e dirigido por César Oiticica Filho, sobrinho de Hélio, o filme lança mão de um grande material de arquivo do artista e retrata a evolução de sua carreira e a efervescência cultural dos anos 1960.

    Com a voz de Hélio Oiticica como fio narrativo, o documentário permite um mergulho em seu pensamento, trajetória e intimidade. A extensa pesquisa de imagens realizada para a produção faz com que o espectador acompanhe o desenvolvimento de Oiticica: seu início junto ao Grupo Frente; o surgimento do Neoconcretismo; a criação dos Bólides, Penetráveis, Núcleos e Parangolés; o envolvimento com a Tropicália; o período em Nova York; até a volta ao Brasil.

    Antes de desembarcar na capital mineira, a produção passou por mais de 20 festivais internacionais e recebeu diversos prêmios, como o de melhor documentário no Festival do Rio, em 2012, o prêmio especial do júri no Festival de Filme e Livro de Arte 2013 (FILAF), em Perpignan, na França, e o Caligari, prêmio da crítica do Festival de Berlim de 2013, na Alemanha.

    O lançamento do filme em Minas reflete a forte relação que Oiticica manteve com o estado. Em abril de 1970, participou, em colaboração com Lee Jaffe, da mostra e manifestação Do Corpo a Terra, realizada no Palácio das Artes e no Parque Municipal. Nesse evento histórico, estavam também Cildo Meireles, Carlos Vergara, Franz Weissman e Artur Barrio. Já no Instituto Inhotim, em Brumadinho/MG, Oiticica possui importantes obras em exposição, como as Cosmococas, cinco salas sensoriais criadas em parceria com o cineasta Neville d’Almeida.

    Confira o trailer:

    Hélio Oiticica – Trailer Oficial – HD from GUERRILHA FILMES on Vimeo.

    Diretor

    Nascido no Rio de Janeiro, em 1968, Cesar Oiticica Filho iniciou seus estudos sobre imagem em um curso técnico de fotografia em Manaus. Em 2010, realizou o curta Invenção da Cor, em que Hélio Oiticica fala de seus projetos para espaços públicos, em particular do Magic Square, em exibição no Inhotim. Trabalha atualmente com multimeios. Há 15 anos é curador do Projeto Hélio Oiticica e, junto com Fernando Cocchiarale, da exposição Hélio Oiticica, Museu é o Mundo, que gerou um livro, do qual é organizador. Finalizou em 2012 o documentário Hélio Oiticica.

    Serviço

    Hélio Oiticica

    Documentário | 95 min | Cor | Áudio Dolby | Brasil | 2012

    Exibição: Cine 104 (Praça Ruy Barbosa 104 – Centro – Belo Horizonte/ MG), a partir de 16/10, às 17h e 20h40.

    Ficha Técnica: Roteiro e Direção – Cesar Oiticica Filho. Pesquisa de Imagem – Antonio Venancio. Empresa produtora – Guerrilha Filmes. Produção Executiva – João Villela, Juliana Carapeba, Felipe Reinheimer e Cesar Oiticica Filho. Fotografia – Felipe Reinheimer. Figurino – Julia Ayres. Supervisão de Montagem – Ricardo Miranda. Montagem – Vinicius Nascimento. Música Original – Daniel Ayres e Bruno Buarque de Gusmão.

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