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  • 21 de julho de 2015

    Redação Inhotim


    brumadinhocomunidademúsica

    Leitura: 3 min

    Inhotim em Cena promove encontro musical em Marinhos

    Inhotim em Cena promove encontro musical em Marinhos

    Não foi só a experiência com música orquestral, jazz e world music que colocou o renomado percussionista Greg Beyer em uma roda de conversa com as crianças da comunidade quilombola de Marinhos, em Brumadinho. “Naná Vasconcelos é a razão pela qual eu estou aqui na frente de vocês hoje com um berimbau”, contou o músico, relembrando o momento em que se apaixonou pelo ritmo brasileiro.

    O álbum “Saudades”, gravado pelo percussionista brasileiro em 1980, foi o primeiro contato de Beyer com o instrumento. O estilo próprio de Naná Vasconcelos tocar o berimbau instigou o norte-americano a experimentar outras criações. A pesquisa levou ao surgimento do Projeto Arcomusical, em Illinois, nos Estados Unidos. Antes de conhecer a comunidade de Marinhos, o grupo apresentou seu repertório vibrante no Inhotim, dentro da programação do Ciclo de Música Contemporânea do Instituto.

    Os músicos aproveitaram a visita para trocar experiências: além de mostrar composições próprias, assistiram às crianças que participam da oficina de percussão promovida pelo Inhotim na comunidade e conheceram a dança das mulheres do grupo de roça Quem planta e cria tem alegria. Greg se encantou com os meninos e meninas quilombolas: “As crianças têm muita energia, percebem tudo o que acontece com rapidez. É incrível a oportunidade de partilhar.” Leide, umas das lideranças da comunidade, achou o resultado positivo. “É muito bom para os meninos porque eles aprendem coisas que não sabiam antes. Criança deve ver variedade”.

    Foto: William Gomes

    A dança com sementes foi criada por mulheres como Ivone e Leide, que participam do grupo de roça da comunidade. Foto: William Gomes

    As semelhanças também uniram os dois grupos. Depois de conhecer as especificidades do berimbau utilizado pelo Arcomusical, Felipe, de nove anos, fez a pergunta que instigava a curiosidade dos colegas: “A capoeira nos Estados Unidos é igual à do Brasil?”. Todos dançavam em roda e diferentes sotaques formavam um mesmo coro quando a tarde caiu naquele dia em Marinhos.

    Foto: William Gomes

    As crianças da comunidade mostraram para os visitantes o que aprenderam na oficina de capoeira. Foto: William Gomes

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    17 de julho de 2015

    Lidiane Arantes

    Supervisora de Educação Ambiental


    inhotimmeio ambienteproteção às florestasViveiro Inhotim

    Leitura: 3 min

    Dia de Proteção às Florestas

    Dia de Proteção às Florestas

    As florestas ainda ocupam cerca de 61% do território brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente. A necessidade de preservação desses biomas não está apenas na conservação da biodiversidade, mas inclui todas as funções sociais, econômicas e ambientais que uma área florestal desempenha. O Dia de Proteção às Florestas, comemorado em 17 de julho, nos convida a refletir sobre a importância da exuberante flora que ainda existe no Brasil.

    Quem visita o Inhotim, tem a chance de conhecer vários tipos de florestas, assim como espécies ameaçadas e em extinção que hoje crescem nos jardins do parque. Esse é um dos papeis do Jardim Botânico: incentivar a preservação dos biomas e das áreas degradadas pela ação humana.

    O trabalho realizado pela equipe do Instituto contribui a conservação das espécies ex situ, ou seja, fora de seu ambiente. Dentro do parque, acontece a replicação de um grande número de plantas, incluindo algumas com risco de extinção em seu habitat natural. A propagação da árvore Terminalia Acuminata, até então considerada extinta, foi uma das conquistas recentes. Após encontrar um único exemplar sobrevivente na Floresta da Tijuca, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro presenteou o Inhotim com algumas sementes da árvore, que foram plantadas e cuidadas. Hoje, três mudas da árvore crescem na estufa equatorial.

    Um lugar especial no parque é o Viveiro Inhotim, onde há o ponto de encontro entre a Mata Atlântica e o Cerrado, dois biomas muito comuns no Brasil. Lá,  é possível sentir na própria pele o microclima dessas florestas e saber sobre o tipo de espécies botânicas que elas abrigam. Isso nos faz pensar quais ações temos praticado para a preservação da nossa flora e em como podemos agir, diariamente, na tentativa de preservar e valorizar essa riqueza natural que nos cerca.

    Baixe o PDF para saber mais curiosidades sobre o Espaço Mata Atlântica Transição Cerrado do Viveiro Inhotim.

    Visite e descubra as sensações que a nossa floresta pode te proporcionar!

    Terminalia Acuminata é uma das árvores raras que crescem fortes na estufa do Inhotim.

    Terminalia Acuminata é uma das árvores raras que crescem fortes na estufa do Inhotim.

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    03 de julho de 2015

    Redação Inhotim


    brumadinhocomunidadeeducação

    Leitura: 5 min

    Inhotim, uma trajetória

    Inhotim, uma trajetória

    A pequena casa onde está instalada a obra de Rivane Neuenschwander é um mundo de lembranças para Tamara Oliveira. Quando entra ali, ela volta no ano de 2007 e revive os encontros semanais de quando integrava o Laboratório Inhotim, um dos projetos educativos mais antigos do Instituto.  De lá pra cá, a casa que era parte da antiga fazenda foi transformada para abrigar uma obra de arte.  “Eu volto e consigo ver as paredes, a escada, o fogão a lenha, como era quando tudo começou”, conta.  Aos 21 anos, Tamara cursa o 3º período de Psicologia e, desde 2013,  é mediadora do mesmo programa que participou quando criança. “O Inhotim faz parte do meu passado, e é também o meu presente”, diz.

    Indicada por um professor de Geografia para participar do projeto aos 14 anos, Tamara aceitou mesmo sem saber muitos detalhes do que seria feito durante o semestre. “Eu conheci o Inhotim com a minha escola nesse mesmo ano, e me encantei. Quando recebi o convite para integrar o Laboratório, aceitei na hora”. A proposta dos encontros era a mesma que guia o projeto até os dias de hoje: explorar o parque com liberdade e sensibilidade para estimular um olhar crítico sobre Brumadinho e o mundo.  Com o fim dos dois módulos do projeto, Tamara tornou-se bolsista do Instituto, fazendo do Inhotim parte do seu dia a dia por mais dois anos.

    O encontro com grandes artistas está entre as melhores lembranças da jovem, assim como a chance de ver o Inhotim crescer e se transformar ao longo desse tempo. “Me lembro do dia em que fomos com Jarbas Lopes e os fusquinhas para Brumadinho, e fizemos intervenções na cidade. Me lembro também do encontro com Chris Burden e de ver o Beam Drop nascendo” relembra. Durante todos esses anos, Tamara conseguiu ir longe. Foi  selecionada em um edital do Congresso Nacional da Federação  de Arte/Educadores (Confaeb) em São Luis do Maranhão,  onde apresentou a pesquisa desenvolvida ao longo do programa e ainda saiu do país pela primeira vez rumo à  Londres, junto ao Laboratório. Na viagem, ela conheceu de perto jovens integrantes de projetos parecidos da Tate, Museu de Arte Moderna do Reino Unido, após um ano de troca de experiências à distância. ” Além de tudo, era um sonho conhecer um país que fosse monarquia”, conta.

    Com o fim da bolsa, surgiu a oportunidade do primeiro emprego como mediadora. Chegou a hora de viver o outro lado do Laboratório Inhotim . “Eu fico reparando neles e me vejo ali, com aquele medo do novo típico. É o primeiro encontro com a arte e cada um tem seu tempo. Eu procuro entender e respeitar isso”. Segundo a estudante, é difícil para um adolescente mensurar a dimensão dessa oportunidade. “O que eu vejo de especial nesse trabalho é que ele oferece um monte de possibilidades de olhares, mostra que tudo depende do ponto de vista. Muitas vezes só percebemos quão importante foi essa chance depois que saímos e crescemos”, avalia. Como mediadora, os dias são imprevisíveis e surpreendentes. “Acontece muito da gente planejar  toda uma dinâmica para o grupo e vem algum jovem com uma ideia nova e muda o rumo de tudo. Isso é fantástico”, diz.

    Os dias no parque influenciaram em importantes decisões de Tamara, que sonha em continuar trabalhando na área de educação. Decidida a se dedicar mais à faculdade, ela reconhece a necessidade de deixar os trabalhos no Inhotim em breve, mas considera impossível a possibilidade de se distanciar de tudo que experimentou no Instituto. “Não tem como sair e deixar para trás o que passei aqui. Eu vou levar o Inhotim comigo pela vida, porque, depois de tantos anos, eu ainda consigo me surpreender com esse lugar”.

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    12 de junho de 2015

    Redação Inhotim


    amorarteinhotim

    Leitura: 3 min

    Linda do Rosário, uma história de amor

    Linda do Rosário, uma história de amor

    A visitante caminhava ao redor da obra. Máquina de retratos em punho. Inquieta, perguntou ao monitor da galeria:

    – Linda do Rosário? Mas por que desse nome?

    – Bem, é o nome de um hotel que desabou no Rio de Janeiro, em 2002 – ele respondeu.

    – E por que uma artista escolheria esse nome para uma obra de arte? – retrucou, desconfiada.

    – Essa artista, Adriana Varejão, gosta muito de trabalhar com azulejos. Você vai ver por aqui no Inhotim outros trabalhos dela que utilizam esse material. Mas ela também gosta de fotografar, especialmente situações inusitadas. Quando o prédio caiu, Adriana estava no Rio preparando uma exposição. Ao saber do acidente, foi até as ruínas e fez algumas fotos. Ela percebeu que, apesar dos escombros, havia paredes de azulejo azul e branco, resistindo a toda a destruição. Essa foi uma das inspirações para ela compor esse trabalho.

    – E no hotel, tinha gente lá?

    -Tinha sim. Dizem que o porteiro escutou os estalos e saiu avisando todo mundo para deixar o prédio imediatamente. Quando ele estava descendo as escadas, quase na porta, lembrou-se de um casal que ocupava um dos quartos. Da portaria, interfonou, mas ninguém atendeu. Ele chegou a retornar e bater na porta, mas não houve resposta.

    – Nossa, e o que aconteceu?

    – Assim que ele deixou o prédio, assistiu tudo desabar, ao lado das outras pessoas que também conseguiram escapar da tragédia. Infelizmente o casal não sobreviveu. Dois dias depois, seus corpos foram encontrados pelos bombeiros, em meio aos escombros, deitados sobre os restos de uma cama. Seus nomes não foram revelados, mas um jornal da época contou que se tratava de um casal de amantes. Há quem diga que eles ouviram o porteiro chamar, mas preferiram ficar ali e morrer juntos, cansados de esconder seu amor… Tem até uma música, daquela banda Los Hermanos, que canta essa história. Chama “conversas de botas batidas”.

    – Poxa, obrigada! Só de olhar eu nunca ia imaginar isso tudo! E que material é esse?

    – É poliuretano, senhora! Só não pode tocar na obra…

    A queda de um hotel em SP foi inspiração para a obra de Adriana Varejão.

    A queda de um hotel em RJ foi inspiração para a obra de Adriana Varejão.

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    03 de junho de 2015

    Rodrigo Moura

    Curador e diretor de Artes e Programas Culturais do Inhotim


    artecosmococainhotimmúsica

    Leitura: 8 min

    Juliana Perdigão, uma cantora de mil faces

    Juliana Perdigão, uma cantora de mil faces

    Em 2011, a jovem cantora Juliana Perdigão, uma amiga nova, me convidou para escrever um texto sobre seu primeiro disco, Álbum desconhecido (você confere o texto abaixo). Desde então começamos um intenso diálogo sobre música, arte e vida, que incluiu a possibilidade de um show em Inhotim, dentro da faixa de programação do Inhotim em Cena dedicado a novos artistas brasileiros. Este show acabou se tornando um espetáculo comissionado, a partir do universo estético e do repertório musical de um dos nossos pavilhões permanentes mais importantes, a Galeria Cosmococa, dedicada à obra de Hélio Oiticica e Neville d’Almeida. O show acontece no teto da galeria, nos dias 6 e 7 de junho, às 15h.

    As obras da galeria foram criadas pelos artistas em Nova York, quando os dois viveram intensamente a cena underground na cidade, e trazem trilhas sonoras pensadas especialmente para  as instalações audiovisuais. Jimi Hendrix, John Cage e Yoko Ono, heróis da contracultura e vanguarda americana, surgem ao lado de Luiz Gonzaga e Yma Sumac, referências brasileira e sul-americana. A partir do trânsito entre registros do samba à vanguarda, Juliana abarca uma perspectiva pós-tropicalista (Macalé e Tom Zé, Zé Celso e os Campos, passando por compositores emergentes, como Negro Léo e Ava Rocha) para compor seu próprio repertório. As apresentações marcam o retorno de Juliana aos palcos mineiros, depois de uma temporada se apresentando em São Paulo, onde além de estrear a banda nova e se preparar para um novo álbum solo, atuou como instrumentista e atriz em três espetáculos do Grupo Oficina. É imperdível.

    O show foi inspirado na arte de Hélio Oiticica e acontece no teto da Cosmococa.

    O show foi inspirado na arte de Hélio Oiticica e acontece no teto da Cosmococa.

    Texto de amigo é problema. O primeiro problema é a demora. Você pede o texto e o sujeito diz, claro, e passam-se dois, quatro, seis meses e você com o disco, o  livro, a exposição na boca do forno e nada do texto. O segundo problema é quantas vezes você se encontra com o amigo no meio do processo e falam, entre desinteressados e desesperados, sobre o assunto: mas sobre o que? vai ser o texto. De que? vai falar?  E será? que fica pronto. E o amigo com cara de paisagem. Inútil paisagem. Então, por isso, sem mais delongas, Juliana Perdigão, aqui vai o texto que te prometi. Lembro da primeira vez que te vi, que deve ter sido apenas a primeira que eu me lembro. Na nossa cidade nos vemos muitas vezes antes de acenarmos uns aos outros com a cabeça. O endereço era uma cobertura que eu ocupava preguiçosamente na Rua Santa Rita Durão e o ensejo, não poderia ser mais oportuno, o Natal. Você me visitou e cantou, como uma gata vadia, na cozinha daquele apartamento enquanto eu fatiava verduras distraído. Daí eu me lembrei de ter te visto cantando, meses antes, com tantos amigos em comum, num palco qualquer. Daí eu vi que você simplesmente canta, verbo intransitivo. Não faz muito caso disso, mas quando canta a gente te escuta, verbo transitivo. Daí me lembrei que você também toca o clarinete e, talvez por isso, cante sem fazer tanto caso ou drama disso, acostumada a emitir sons audíveis da região da face. No final te levei no elevador e te disse que curtia teu jeito de cantar. Você sorriu meio tímida e a porta fechou. E desde esta noite a nossa conversa se projetou não apenas para o futuro mas também para trás. Em infinitas varandas, revelamos lembranças em comum, esfrangalhadas mas existentes, de músicas e noites na nossa cidade. Do Squat à Fundação. Ou seria o contrário? Quem lembra sabe. Daquela noite até o teu disco, descobrimos nos conhecer desde sempre. É desta eternidade, Juliana, que eu queria te falar nesta carta.

    Pra mim, o divórcio que houve entre a música e o cotidiano brasileiro – era pra falar canção popular e classe média, mas passa assim também – é irreversível. Por isso eu só posso acreditar na música no presente. E cantar o passado é, muitas vezes, viver o presente. Por isso em rodas de sambas gastamos os nossos melhores anos. E você, com teu Álbum Desconhecido, de título inspirado e colaborações mais do que elevadas (este texto escusado), tange justamente este problema, “coisa nossa”, ao elencar autores, em sua maioria, desconhecidos e novíssimos. Música feita da matéria presente, do tempo presente. Esta tua eleição está bem porque no tempo de hoje nos projetamos no passado. E só vamos honrar o nosso “passado de glória”, o nosso “samba tradição”, se colocarmos um “objeto não identificado” no meio da sala. A nossa vingança é poder convidar para a festa dos vivos quem a gente quiser. Só não vale viver do passado. Esta fricção entre o passado e o presente se sente no teu trabalho e no de todos nós que desafiamos a tradição como estagnação. Acompanhei algumas prévias ao vivo deste disco, feito de canções singelas, como você me ensinou, e sei que a diversidade de registros que está aqui não é ecletismo, mas parte da sua personalidade artística. Te vendo cantar no palco, vi uma instrumentista afiada, uma bandleader leal, uma diva mal disfarçada, uma bamba cachaceira, uma intérprete de verdade, na hora de escolher, cantar e dirigir o arranjo. Tais e tão complexas são as tuas mil faces. Mas prometi a mim mesmo despir-me das vestes do crítico para escrever esta carta. O terceiro, último e fatal problema de texto de amigo, Ju, é que não há objetividade que resista a nossa conversa, que já passa de anos e que vai durar muitos mais anos. E, agora, para sempre. Dever cumprido.

    Guarulhos, maio de 2011. R.M.

    Juliana Perdigão e Os Kurva
    Quando: 6 e 7 de junho, às 15h.
    Onde: Galeria Cosmococa.

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