• EN
  • 04 de julho de 2016

    Bernardo Paz

    Idealizador e presidente do Conselho e Administração do Instituto Inhotim


    artecomunidadeeducaçãoinhotimvisita

    Leitura: 7 min

    Ponte para a beleza #Ensaio1nfinit0

    Ponte para a beleza #Ensaio1nfinit0

    Parto do princípio que os grandes temas da humanidade já foram escritos, traduzidos e adaptados para a linguagem popular e todos esses registros estão embutidos no raciocínio coletivo. Dessa forma, creio que as pessoas atuam dentro da razoabilidade dos pensamentos dos letrados, dos intelectuais, dos empresários, das classes menos favorecidas economicamente. Posso ser criticado pela intelectualidade, mas leio muito pouco. Exercito meu raciocínio na maior parte do tempo e, por isso, passei a ter um conhecimento generalizado, o que me permitiu ultrapassar obstáculos ao entender a formação cultural dos povos e dos vários estratos da sociedade.

    Desde a minha infância observei a beleza da arte de Guignard e da minha mãe e das pessoas que me cercavam à época. Busquei a beleza traduzida no ambiente em que vivia, no horizonte. E esse sentido de beleza foi se refinando à medida em que estabeleci contato com pessoas especializadas de muitas áreas de conhecimento. Na verdade, acredito, as pessoas deveriam nascer aos 40 anos para não cometer os erros da juventude. Nessa idade você já absorveu a cultura necessária à busca de seus objetivos. Foi por volta dos 40 anos de idade que comecei a fazer o Inhotim.

    Inhotim nasceu de uma semente apropriada por mim, pela convivência com Roberto Burle Marx e com os grandes parques do mundo, pela minha curiosidade com o que podia se tornar uma surpresa. Tudo tinha de ser alinhado ao belo. E o belo pode e deve ser desenvolvido sempre na observação da contemporaneidade.

    A concretização inicial foi muito difícil, pois pessoas com raciocínio genérico têm dificuldade em se fazer entender por serem exigentes e buscarem sempre processos longitudinais e com profundidade. Uma consequência é que os que acompanham essa concretização acabam realizando o trabalho sem ter ideia do que se está construindo. A minha infelicidade é que os sujeitos que realizam esse processo intuitivo não são os mesmos que aproveitarão do sucesso ou fracasso do objeto feito. Muitas ficam pelo caminho, por não observarem que a grandeza não partiu delas e, às vezes, por não conseguirem valorar algo que se tornou grande.

    Construir Inhotim significa entrega. Normalmente as pessoas trabalham com planejamento, caixa e recursos. Algumas planejam sem recursos e sem caixa. Poucas pessoas, muito poucas, conseguem – pelo fato de terem se habituado a lidar com a intuição e com fragmentos do conhecimento da sociedade – penetrar nos meandros do labirinto que é a vida, já sabendo que do outro lado desse labirinto se pode constituir uma ponte para a beleza. Essa ponte é tão importante, tão forte, que ultrapassa os limites do financeiro e do pragmático e entra no limite do sonho e da realização.

    E, então, se coloca o desafio de lidar com o tempo. É preciso observar que há de se considerar dois tipos de tempo. O primeiro é um período muito curto, o tempo da existência do ser humano. O outro é o tempo da execução e da realização. Pelo fato de o período da vida ser curto é preciso ser muito rápido. Se você tem a rapidez necessária, muito provavelmente durante a sua vida poderá realizar boa parte de seus sonhos. E, muitas vezes, eles podem significar uma seta para o futuro.

    Mas há uma outra questão relacionado ao tempo hoje. A sociedade gera um volume de tecnologia e de informações que ainda não está preparada para mobilizar. As pessoas que produzem as tecnologias perdem rapidamente o controle sobre o que fizeram e os produtos passam a ser aperfeiçoados por segmentos diversos da sociedade em uma velocidade absurda. E assim o mundo se tornou um mundo instantâneo. Essa instantaneidade, julgo, não está sendo bem observada. Ela tem de deixar de ser “instantânea” para ser a formação do próprio pensamento. Em meio a esse processo, aparecem os artistas que passam a se debruçar sobre a crítica, sobre a política e sobre as carências da sociedade. Isso está intrínseco na arte contemporânea, afinal, o artista tem a sensibilidade de antecipar aquilo que ainda não é visto. Basta lembrar que o formato mais violento, mais radical da arte contemporânea foi protagonizado por Marcel Duchamp, quando tornou o urinol em um objeto de arte. Muitos questionam “Por que o urinol?” Porque ele desnuda todos os conceitos de beleza, de riqueza e de tradição.

    O Inhotim também é uma observação clara de um idealismo nacionalista que digeri pelos hinos que propagavam as grandes conquistas que meu pai cantava para eu dormir na minha infância e que me tornaram uma pessoa extremamente infeliz. Entre o que meu pai cantava e o que eu acreditava que poderia fazer na vida, a distância se mostrava muito grande. Desde a infância, passando pela minha juventude, eu tenho tentado buscar esse ideal. Mas ainda não alcancei.

    Inhotim é uma semente, é o princípio de um começo e o fim está longe. Gostaria que todos tivessem acesso a muita tecnologia, mas rodeados dos princípios básicos do Inhotim: sustentabilidade, segurança, beleza e cultura. E que, a partir dessa obra criada pelo viés da generalidade, as pessoas absorvessem tudo o que foi pensado para construir o Inhotim e possam partir dali para adiante.

    Afinal, como construí Inhotim? Com paixão e achando que com doze jardineiros e eu plantando junto iríamos fazer este lugar. O que significam agora os dez anos de Inhotim? Nada. É um tempo que já se passou. O Inhotim continuará sempre ainda por vir.

    *Esse é o primeiro relato do #Ensaio1nfinit0, uma das ações que comemora os 10 anos do Instituto #1nfinit0 #inhotim1nfinit0 #Inhotim10anos

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    01 de julho de 2016

    Redação Inhotim


    artebotânicaeducaçãoinhotimprogramação cultural

    Leitura: 5 min

    Aprendendo divertidamente – Colônia de Férias Pequenos Propositores

    Aprendendo divertidamente – Colônia de Férias Pequenos Propositores

    Com muita alegria e diversão, a Colônia de Férias Pequenos Propositores propõe atividades em período integral para crianças de 6 a 11 anos a partir do dia 16 de julho. O grupo será convidado a experimentar diversas possibilidades de visitação, de forma lúdica, percebendo que, para conhecer o Inhotim, é preciso olhar de longe e olhar de perto, dialogando corporalmente, descobrindo novas formas de sentir os acervos artístico e botânico a partir de temáticas transversais.

    Enquanto os responsáveis visitam Inhotim, as crianças, acompanhadas pelos educadores do Instituto, realizam uma visita que inclui atividades práticas, tendo como objetivo produzir diferentes significados sobre os acervos artístico, botânico e histórico-cultural do Instituto. A Colônia pretende construir estratégias pedagógicas não formais para a promoção da autonomia e o exercício da criatividade a partir de conceitos em educação ambiental, arte contemporânea, memória e patrimônio e através do aprendizado coletivo.

    Na parte da manhã, as crianças participantes da Colônia são convidadas a conhecer os acervos botânico, artístico e histórico-cultural do Inhotim a partir do laboratório de bolso, uma das principais ferramentas para ativar a mediação da visita.  Os materiais inseridos na bolsa são práticos e propositivos e a escolha destes está relacionada à experimentação e apropriação de jardins e galerias, fazendo com que o grupo saiba mais sobre a história do Instituto, de forma divertida. Nesse momento, as crianças experimentam diversas possibilidades de visitação, tendo cada dia um tema diferente como foco.

    Na parte da tarde, a partir das experiências de visitação, as crianças são instigadas a propor experimentações a partir de atividades práticas com educadores do Instituto, colocando em ação o que aprenderam e relacionando o que foi visto no período da manhã de maneira lúdica e livre.

    Confira a programação:

    Quinta-feira: Brincando com a Diversidade
    Muitas pessoas dizem que o Inhotim é um mundo a parte, mas na verdade ele é um pouquinho de cada canto do mundo, expresso em seu acervo artístico, histórico-cultural e botânico. Convidamos as crianças a descobrirem e se encantarem com a diversidade presente nos acervos, através de jogos, brincadeiras e muita diversão!

    Sexta-feira: Descobrindo a Natureza
    Em um dia de muita aventura e descobertas, os pequenos serão incentivados, a partir do exercício da criatividade, a desbravar a natureza do Inhotim: presente nos jardins e na arte além de refletir sobre a temática ambiental.

    Sábado: Explorando os Sentidos
    As crianças serão convidadas, a partir dos acervos do Instituto, a inventar novas maneiras de sentir, aproximando o mundo que já conhecem com este novo território: o Inhotim. E a partir destas descobertas, vão criar, experimentar e o mais importante: brincar muito!

    Domingo: Investigando o Tempo
    Como explicar a uma criança sobre o tempo? O tempo das plantas e de cada ser vivo pode ser compreendido de diversas maneiras. A atividade propõe buscar perguntas e respostas sobre o tempo livremente, transitando entre arte e meio ambiente nos espaços do Inhotim.

    Quando: 16 a 31 de julho; sempre de quinta a domingo
    Faixa etária: 6 a 8 anos (grupo 1); 09 a 11 anos (grupo 2)
    Horário: 9h30 às 16h
    Local de encontro: acolhimento dos grupos na Recepção
    Inscrições: 3571-9796 / 3571-9783 / 99737-6366 // escolas@oturi.com.br
    Valor: R$ 170,00 – para uma criança e um dia
    R$ 300,00 – para irmãos e para dois dias
    Incluem: entrada no Inhotim, lanche de boas-vindas, almoço e lanche da tarde

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    14 de junho de 2016

    Marta Mestre

    Curadora de arte do Instituto Inhotim


    arteinhotimtunga

    Leitura: 3 min

    Tunga (1952-2016) – In memoriam

    Tunga (1952-2016) –  In memoriam

    A história do Inhotim está intrinsecamente ligada à obra e pensamento de Tunga. Contá-la é evocar, no passado, presente e futuro, o nome deste artista maior que funda uma obra sem categorias, sem gavetas, e nem principio, meio ou fim.

    Essa ideia de puzzle infinito, que se desdobra dentro de si próprio, e se expande no tempo, foi intensamente explorada nas galerias que Tunga concebeu para o Inhotim: “True Rouge”, inaugurada em 2002, e a Galeria Psicoativa, em 2012.

    Ambas formam o maior conjunto de obras de Tunga permanentemente exposto no Brasil e no exterior, com trabalhos desde o início da década de 80 até aos anos 2000, e expressam o compromisso do Inhotim em pesquisar, divulgar e preservar a sua obra e pensamento, iguais a ele e ao seu discurso. Livre, contraditório, eloquente, transgressor, visionário, poético, solar, soturno, e pleno de humanidade. Um universo de partículas em aceleração, de elementos, como ele dizia, soltos e “bagunçados”, que continuarão a desafiar os significados e significantes habituais.

    Talvez seja essa a grande experiência que nos deixa. Que o espanto é a condição para inventarmos um mundo novo, não necessariamente melhor ou mais acolhedor, mas potencialmente inscrito na nossa imaginação. E que é hora de abandonarmos o lugar de espetador e de lançarmo-nos na ambiguidade, contradição e finais incompletos que fazem da poética de Tunga uma verdadeira ética de vida.

    Certos que jamais poderemos “domar” a densa materialidade e substância do espírito de Tunga, e que foi um enorme privilégio termos participado das suas mais altas aventuras, cabe-nos agora manter vivo o seu legado. Temos muito trabalho pela frente, e uma só maneira de encara-lo: apaixonada e intensamente, como Tunga nos ensinou.

    O Instituto Inhotim expressa as suas sinceras condolências a todos os familiares, amigos e colaboradores de Tunga.

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    08 de junho de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 5 min

    O universo particular das plantas epífitas no Inhotim  

    O universo particular das plantas epífitas no Inhotim  

    Entrar em um lugar onde cerca de 2.500 plantas de várias partes do mundo convivem em harmonia é sentir o cheiro, as cores e a força da natureza. No epifitário do Inhotim, é possível ver por todos os lados espécies como orquídeas, bromélias, cactos tropicais e samambaias epífitas crescendo aos cuidados dos profissionais da botânica. O espaço é dedicado a conservação de espécies de resgate e de manutenção do acervo botânico do Instituto e estará especialmente aberto aos visitantes nesta quinta-feira (9), em comemoração à semana do meio-ambiente.

    As plantas epífitas são aquelas que precisam de outras para suporte, como o tronco de uma árvore . O epifitário do Inhotim guarda exemplares que vieram de várias partes do Brasil e do mundo. De acordo com o engenheiro agrônomo  do Instituto Juliano Borin, há espécies que foram compradas e outras que foram resgatadas, sendo o maior desafio da equipe fazer com que nesse espaço seja possível a vida de plantas com exigências tão diferentes.

    A dinâmica no epifitário é feita para que esse cultivo de variedades seja feito da melhor forma. Para isso, um sistema de irrigação específico de nebulização que funciona de forma localizada diariamente deixa as raízes sempre devidamente hidratadas. “ Esse sistema se chama microaspersão. Ele tenta imitar uma nevoa, como se fosse uma bruma que vai molhando as epífitas. Depois, fazemos a complementação com as mangueiras poupando as flores e focando sempre na raiz”, explica Borin. Segundo ele, o restante da manutenção é feito por meio da retirada das raízes mortas, das folhas que estão com fungos e do botão floral das plantas que estão com baixo desenvolvimento, fazendo com que elas poupem energia.

    No epifitário, as plantas são remanejadas de acordo com a necessidade de cada uma delas. Foto: Rossana Magri.

    No epifitário, as plantas são remanejadas de acordo com a necessidade de cada uma delas. Foto: Rossana Magri.

    De acordo com Borin, algumas espécies já estão adaptadas, como é o caso da orquídea Cattleya que, por ser de Minas Gerais, é acostumada com o clima da região. “Mas aqui existem orquídeas da Tailândia, como as Vandas, que não gostam de frio, estão acostumadas ao clima constantemente quente”. Para contornar essa situação, os jardineiros são treinados a desenvolver a sensibilidade de entender essa necessidade específica de cada uma. Dessa forma, elas são distribuídas no epifitário de acordo com o que precisam: nos cantos, por exemplo -onde a água cai menos – ficam aquelas que precisam de menos umidade. Já no alto, ficam as Vandas, onde o clima é mais aquecido. Com a atenção e o cuidado da equipe de jardinagem, elas florescem e se fortalecem a cada dia.

    Durante a visita conduzida por Borin,  você terá a chance de conhecer espécies que não estão no jardim do Inhotim, além de entender mais sobre a dinâmica de um lugar onde plantas de diferentes partes do mundo se encontram. Participe!

    Visita ao Epifitário
    Quando: 9 de junho (quinta-feira)
    Horário: 10h30
    Onde: saída da Recepção
    25 vagas; inscrição gratuita na Recepção a partir de 10h.

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    01 de junho de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 1 min

    Amigos do Inhotim: categorias e benefícios

    Os Amigos do Inhotim vivem uma experiência mais próxima com os acervos e conteúdos do Inhotim. Tanto no Parque como fora dele, os participantes do Programa desfrutam de uma série de comodidades, colaboram com projetos sociais, educativos e científicos e contribuem para a manutenção da instituição.

    Quer ser Amigo do Inhotim?
    Clique aqui ou entre em contato com a gente.
    +55 31 3571 9717
    amigos@inhotim.org.br

    categoriasebeneficios-final

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    Página 10 de 44« Primeira...89101112...203040...Última »