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Desenhos feitos por índios Yanomami revelam mitos e tradições

Desenhos feitos por índios Yanomami revelam mitos e tradições

Inaugurada em novembro de 2015, a Galeria Claudia Andujar apresenta uma ampla seleção de fotografias da artista, realizadas nos períodos em que viveu com os índios Yanomami. Curiosa para conhecer a cultura da tribo, a fotógrafa propôs algo inusitado. Ofereceu papel e pinceis atômicos a um grupo de indígenas e pediu que desenhassem seu habitat, mitos e tradições. Eles nunca haviam tido contato com esses materiais. O resultado da experimentação, realizada ainda na década de 1970, também pode ser visto na exposição inaugural do pavilhão.

Os desenhos reunidos na mostra foram realizados por quatro artistas – Taniki, Poraco, Vital e Orlando – e revelam aspectos diversos da vida dos Yanomami, narrativas de mitos, além de padronagens comuns às pinturas corporais e à decoração de objetos. Em Sem título (Yoassi grávido), 1976, Poraco apresenta sua percepção da geração de um dos filhos de Omama, divindade responsável pela criação do universo. Já em Sem título (Fazer muito amor com a mulher), 1976, do mesmo artista, linhas e pontos representam de maneira abstrata a relação sexual.

Da esquerda para a direita, no segundo quadro é possível ver a representação Sem título (Fazer muito amor com a mulher). Foto: William Gomes

Da esquerda para a direita, no segundo quadro é possível ver a representação Sem título (Fazer muito amor com a mulher). Foto: William Gomes

A curadora assistente do Inhotim, Cecília Rocha, explica que a presença desses trabalhos em um centro de arte contemporânea ajuda a ampliar a ideia do que é arte. “Temos o costume de definir arte a partir da tradição europeia. Desde o final da década de 1980 e o início dos anos 1990, alguns grandes museus têm feito tentativas de mostrar trabalhos de fora dos centros hegemônicos. O movimento de olhar para a produção indígena como fizemos aqui vem desse momento. A proposta, é contar uma outra história da arte, baseada em outros temas e formas de produzir”, reflete.

Mitopoemas Yanomami

Os desenhos criados por incentivo de Andujar também deram origem ao livro “Mitopoemas Yãnomam”, que pode ser visto na exposição. À medida que os indígenas finalizavam as imagens, a artista pedia que narrassem o que haviam criado. Com a ajuda do missionário Carlo Zacquini, que gravou e traduziu as descrições, ela organizou a publicação, que apresenta a mitologia e a visualidade Yanomami.

Claudia Andujar no Inhotim

Ao longo de 40 anos, a fotógrafa Claudia Andujar produziu um extenso arquivo de imagens sobre os Yanomami, povo indígena que vive na Amazônia brasileira, no estado de Roraima. As fotografias, feitas durante diversos períodos de convívio com os índios, são parte de uma ampla pesquisa artística e etnográfica desenvolvida por ela. No Inhotim estão expostas mais de 400 imagensl que revelam a aproximação da artista com os Yanomami e também seu ativismo, fundamental para a demarcação de terras indígenas em 1992.

Claudia Andujar viveu entre os índios por cerca de 30 anos, tempo em que retratou seu ponto de vista diante da realidade da tribo Yanomami. Foto: William Gomes.

Claudia Andujar viveu entre os índios por cerca de 30 anos, tempo em que retratou seu ponto de vista diante da realidade da tribo Yanomami. Foto: William Gomes.



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