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  • 13 de março de 2017

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Escola de Cordas Inhotim dá início ao 5º ciclo

    Escola de Cordas Inhotim dá início ao 5º ciclo

    Três vezes por semana, Flander Cristian Souza Silva, 15 anos, sai da cidade de Sarzedo, onde mora, para frequentar os ensaios da Escola de Cordas Inhotim. O menino ficou sabendo do projeto do Instituto por uma prima e resolveu procurar as formas de participar, já que sonhava aprender viola. “Eu sempre procurava por aulas abertas e nunca conseguia. Quando comecei a frequentar os ensaios aqui no Inhotim, eu percebi que minha vontade de tocar em uma orquestra era possível”, relembra. Neste sábado, os alunos do projeto deram início a mais uma temporada de aulas junto ao maestro César Timóteo.

    Em funcionamento ininterrupto desde a sua implantação em abril de 2012, a Escola de Cordas conta com o patrocínio exclusivo da Vale desde o início e dá a 90 jovens a oportunidade de uma formação musical gratuita em instrumentos sinfônicos de corda (violino, violoncelo, viola e contrabaixo acústico) para crianças e jovens. Eles são prioritariamente estudantes da rede pública de ensino e residentes de Brumadinho e municípios ao redor. No sábado, os alunos estiveram no Parque com seus familiares para serem apresentados ao plano didático de 2017.

    Durante os encontros semanais com os jovens, o maestro busca fazer da música um compromisso e um prazer na vida dos integrantes do projeto. “A convivência com esses jovens alunos revela o quanto são talentosos e as possibilidades de desenvolvimento artístico e musical que lhes espera”, afirma Timóteo. De acordo com o ele, os alunos chegam, em sua maioria, ainda pré-adolescentes, sendo possível acompanhar de perto o amadurecimento deles ao longo do ano. “A música estudada, pensada, analisada, sentida e percebida rouba-lhes as cenas tristes da realidade que muitos deles enfrentam na vida pessoal. Para quem não tinha caminho, a música se torna uma possibilidade, um sonho, um objetivo, um alvo. Pouco a pouco passam a se sentir artistas dentro de um mundo criado e idealizado pelos sons, melodias e acordes antes desconhecidos”, analisa.

    Os encontros acontecem no Centro Educativo Burle Marx, possibilitando que o grupo tenha um contato direto com os acervos do Inhotim e com toda a programação desenvolvido no Instituto. Para Flander, essa é também uma chance de trabalhar a sensibilidade não só no campo musical. “Aqui eu estou sempre descobrindo coisas novas”, diz. A colega Isabella Soares, de 14 anos, integra o projeto desde o primeiro ano e é apaixonada pelo violino. Segundo ela, existe uma relação direta entre as composições da Escola de Cordas com os jardins do Instituto. “As músicas têm muito a ver com a natureza do Inhotim, elas transmitem para mim a mesma paz que encontramos aqui”, conta.

    Se você estiver caminhando pelo Centro Educativo Burle Marx nas quartas, quintas e sextas e escutar o som dos instrumentos, sinta-se convidado a assistir um ensaio e conhecer de perto a Escola de Cordas Inhotim.

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    10 de março de 2017

    Redação Inhotim


    arteexposiçãoinhotim

    Leitura: 6 min

    Galeria Doris Salcedo reabre após processo de restauro

    Galeria Doris Salcedo reabre após processo de restauro

    Uma grande obra da Coleção Inhotim está novamente aberta para a visitação do público. Neither [Nenhum (dos dois), 2004], trabalho da artista colombiana Doris Salcedo inaugurado no Instituto em 2008, foi completamente restaurado, assim como a galeria em que está instalado. Este é o primeiro grande projeto de restauro realizado pela instituição e reafirma o compromisso do Inhotim em exibir, de forma permanente, obras de arte contemporânea.

    A recuperação de Neither foi realizada em três etapas. Inicialmente, uma intervenção arquitetônica na galeria modificou o acesso do público ao prédio e criou uma antecâmara climatizada para evitar a exposição direta da obra às condições externas. Em seguida, a casa de máquinas do pavilhão foi ampliada para receber novos equipamentos de monitoramento, que vão garantir parâmetros climáticos mais homogêneos e lineares, mesmo com a variação de temperatura e umidade no ambiente exterior, como é comum no Inhotim.

    Após as adequações, foi possível iniciar a terceira e mais complexa etapa: o restauro da obra. “Em Neither, Doris Salcedo trabalha de forma inédita combinando materiais não convencionais como placas de gesso e metal. Precisamos considerar que trabalhos de arte contemporânea como este são concebidos pelos artistas em momentos de experimentação e, muitas vezes, para exposições de curto prazo. No Inhotim, nosso desafio é realizar pesquisas contínuas sobre os processos, materiais e conceitos utilizados para garantir a perenidade do acervo e o acesso do público”, avalia a diretora artística adjunta da instituição, María Eugenia Salcedo.

    Durante cinco meses, 15 restauradores trabalharam diretamente com a equipe técnica do Inhotim, além de cientistas, engenheiros químicos, especialistas em corrosão de metais e laboratórios de análises de materiais. A complexidade do projeto passou, inclusive, pela escolha da cor da tinta a ser usada na recuperação. Uma análise da superfície da obra identificou 56 padrões diferentes de branco, que serviram como ponto de partida para que os técnicos realizassem diversos ensaios e formulações até que se chegasse aos dois tons adotados.

    Para o gerente da área técnica do Inhotim, Paulo Soares, o projeto gerou uma valiosa produção de conhecimento científico para o Instituto. “Exibir e preservar são pilares de uma instituição museológica e também um desafio ímpar. Expor ao público significa submeter o acervo a diversas fragilidades, como incidência de luz e variações climáticas. Por outro lado, um acervo armazenado e de acesso restrito perde sua máxima potência. Buscar atuar entre estes dois eixos é, não só um desafio, mas uma experiência única”, afirma.

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    Sobre artista e obra
    Nascida em Bogotá, na Colômbia, desde a década de 1980 Doris Salcedo realiza trabalhos que promovem um forte diálogo com contextos políticos e sociais. Diversas histórias de violência do século 20, como as guerrilhas que há décadas marcam a história da Colômbia, surgem como referências e ponto de partida para suas esculturas e instalações.

    Neither articula-se com o interesse da artista por intervenções na arquitetura, mais diretamente com um dos paradigmas da sala de exposições moderna: o cubo branco. Um espaço segregado do exterior com proporções idealizadas e iluminação contínua, proporcionando uma experiência mais “pura” e “neutra” com a arte. No entanto, na instalação uma grade foi presa às paredes, com mínimas diferenças em sua repetição. Ao mesmo tempo carregada de emoção e quase invisível, a obra relaciona-se com a arquitetura dos campos de concentração, mas também com os aparatos de segregação tão presentes nas grandes cidades do mundo todo. Ao mesmo tempo em que são paredes que protegem, são grades que prendem e separam – sem, contudo, ser nenhum dos dois.

    Para Sergio Clavijo, representante do estúdio da artista e responsável pelo acompanhamento do restauro, apesar de Neither não ter sido pensada para ser permanente, a série de camadas de trabalho nas placas de gesso lhe conferiu esse caráter. Por outro lado, é uma obra que dialoga com outros lugares: “Há ali uma característica de espaço neutro, que quando vivenciado evoca outros espaços. Mais que falar de uma questão da Colômbia, do Brasil ou da América Latina, Neither fala de uma questão humana”, reflete.

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    21 de outubro de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 5 min

    A música de computador de Jaloo

    A música de computador de Jaloo

    Um dos programas que o cantor paraense Jaloo, 29 anos, mais curtia  quando pequeno era acompanhar a mãe em seu programa preferido: o karaokê. Nesses momentos, gostava de cantar os clássicos bem alto ao lado da família. Mas o passa-tempo oficial dele continuava sendo os videogame. Ao chegar à adolescência, um grande amigo o apresentou a uma mistura de estilos musicais, que incluem música eletrônica, rock, e jazz. A partir dai, o interesse foi crescendo, fazendo com que ele conhecesse infinitas possibilidades, se aprofundasse nas pesquisas e começasse a trabalhar com produção musical, aos 23 anos. O tempo e o destino fizeram dele um dos jovens cantores brasileiros que são referência na ousadia e na originalidade. “Foram acontecimentos não planejados. Quando vi, estava no palco. Fui convidado para fazer um dj set num festival que ia ser em Brasília só de música paraense. Todos esperavam que eu faria somente o dj set, mas eu decidi fazer um show cantado. Deu certo. Foi um teste às cegas que me levou a fazer o que eu faço hoje”, relembra.

    Jaloo é um dos destaques do MECAInhotim, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro no Instituto. Confira a entrevista do artista para o blog do Inhotim.

    Como você define a sua música?
    Eu toco computador. E isso é engraçado porque eu encontro músicos e nós temos maneiras de criar que são muito diferentes. Um violão, um teclado, uma guitarra, os timbres, e eu construo meio que desenhando. A criação no Software é meio que um desenho. É outro meio mas que você chega no mesmo resultado. Então é isso: faço música de computador.

    Você vem de um lugar onde a música é um componente muito forte da cultura, mas ainda pouco conhecida aqui no sudeste. O que você gostaria de contar ao publico do MECA sobre a música paraense?
    Uma coisa que eu acho muito linda é o quanto é verdadeiro o que os paraenses fazem em relação a música. Até o tecno brega é levado com muito humor envolvido, mas um humor que é levado muito a sério por nós. Eu acho isso lindo, porque é natural. Outra coisa que adoro é a independência. Conseguimos viver, tocar, divulgar… não estando tão preocupados com o que está sendo ditado nos eixos do sudeste. Isso é autêntico. Perde muito quem não conhece.

    Você acabou se tornando uma referência na quebra desse tabu relacionado ao gênero dos artistas. Para você, qual a importância dessa representatividade? 
    Eu não tenho problema em me identificar com meu feminino. Mas eu sou um homem gay. Eu não vou entrar no mérito de que sou uma mulher, porque eu não vivenciei isso de fato. Não posso comparar meu estilo de vida com o de uma transexual, por exemplo. Mas ao mesmo tempo, a gente tem problema aqui nesse lado também. E vamos em frente. Eu sempre fui assim e estou quebrando este tabu desde quando me entendo por gente. Às vezes acontece de certas questões, como essa de gênero, serem pautadas e tomarem um corpo até maior do que a gente como artista. Eu acho importante sim essa visibilidade, mas tem de haver o cuidado para não se enquadrar certos artistas que se comunicam de maneiras diferentes somente pela questão de gênero. Eles cantam, eles fazem bonito. E isso também importa. Se assumir da forma como somos às vezes é difícil e cansativo. Mas o que dá força é ver o público se inspirando no que eu estou fazendo. Quando vejo uma pessoa que mora no interior do interior vindo falar comigo que se sente mais forte quando me vê, eu penso que tudo vale a pena sim.

    O que você está preparando para seu público do MECAInhotim?
    Eu quero que as pessoas entrem no meu mundo. Eu tenho muito essa coisa do lúdico, da mágica. Eu vou me empenhar bastante pra criar essa fantasia linda.

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    20 de outubro de 2016

    Cadu Costa

    Artista e professor da UERJ e PUC Rio


    Leitura: 2 min

    Canteiro #Ensaio1nfinit0

    Canteiro #Ensaio1nfinit0

    “Exatamente – disse Albert. – O jardim de veredas que se bifurcam é uma enorme charada, ou parábola, cujo tema é o tempo; essa causa recôndita proíbe-lhe a menção de seu nome.”
    (O Jardim de Veredas que se Bifurcam – Ficções. Jorge Luís Borges)

    Essa explicação torna a imagem do jardim sempre incompleta, não linear, por vir. Mas nunca ilusória. O jardim é aberto, pois assim deve ser. Seus espaços estão em promessa aguardando o aporte de novas paisagens.

    Sabendo de sua impermanência, nosso papel é revolver o solo em esperança. A única constante é a inconstância. Habitar um território é saber que se conquista em proporção ao que se abandona, que as ferramentas utilizadas para entrar em seus diversos palácios, devem ser deixadas lá, pois não garantem a entrada no próximo. Que devemos conviver com outros espreitadores, borrar fronteiras, exercer piratarias, insurreições.
    O jardim de muros baixos que é Inhotim, esses crimes poéticos permite. Enquanto o percorremos, ele por nós caminha alterando nossas paisagens interiores, ensinando-nos que há tantos espetáculos no mundo tão transformadores quanto os emoldurados.

    Cadu,
    Inverno de 2016.

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    22 de setembro de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Bordando a cultura quilombola e os acervos do Inhotim

    Bordando a cultura quilombola e os acervos do Inhotim

    Desde 2013, a Oficina de Bordados realizada em parceria com o SESC nas comunidades quilombola de Sapé e Marinhos, localizadas em Brumadinho, incentivam moradores e moradoras a retratar por meio da costura elementos de suas identidades culturais e históricas, além dos acervos do Inhotim. Atualmente, 25 moradores participam das oficinas, realizadas mensalmente. Neste sábado, dia 24 de outubro, é a vez das participantes e dos participantes do projeto ministrarem uma oficina de bordado no Inhotim, atividade que integra a programação da 10a Primavera dos Museus.

    Durante os encontros realizados em Marinhos e Sapé, os moradores e moradoras tiveram a chance de conhecer as técnicas dos bordados e os tipos de material que poderiam utilizar. Dessa forma, aprenderam sobre bordados sobre riscos, bordados sobre fios contáveis, além da identificação por parte do grupo de como melhor empregar o tipo de desenho, de acordo com a linha, com o tecido e com o ponto a ser trabalhado. São sempre dias muito agradáveis, em que crianças, adultos e idosos se reúnem para conversar, costurar e compartilhar a vida.

    A metodologia adotada foi a participativa com foco na troca de experiências, valores, visões de mundo e saberes entre os participantes. Essa metodologia proporcionou uma grande empatia entre o grupo, uma sensação de estímulo coletivo, valorização de um patrimônio cultural comum, que futuramente poderá ser incorporado aos produtos vendidos pelas artesãs em feiras e festas, possibilitando uma nova alternativa de gerar renda.

    Participantes elaboram juntas vários tipos de bordado durante encontros mensais. Foto: Rossana Magri

    Participantes elaboram juntas vários tipos de bordado durante encontros mensais. Foto: Rossana Magri

    A Primavera dos Museus deste ano convida as instituições museais a fazer uma reflexão sobre as trocas simbólicas, culturais e de experiências que proporcionam aos visitantes e, também, sobre a contribuição para o desenvolvimento sustentável do seu entorno. Sendo assim, surgiu a ideia de aproximar a Oficina de Bordados dos visitantes do Inhotim, levando as bordadeiras e os bordadeiros a ministrarem a atividade na qual os participantes poderão aprender um pouco da técnica que foi desenvolvido ao longo desses anos de projeto.

    Desde 2006, quando abriu as portas para o público, o Instituto auxilia no desenvolvimento da região de Brumadinho, realizando projetos que atendem a comunidade. O diretor executivo do Inhotim, Antonio Grassi, afirma que o tema da 10a Primavera dos Museus – “Museus, Memória e Economia da Cultura” – está em sintonia com o trabalho do Instituto. “O Inhotim desenvolve vários projetos sociais e educativos e impulsiona a economia criativa da região de Brumadinho, além de proporcionar uma experiência única com os nossos acervos”. E conclui: “Queremos continuar com nossa contribuição ao desenvolvimento sustentável do entorno de Brumadinho. Nós só cresceremos se todos crescerem juntos”.

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