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  • 27 de dezembro de 2013

    Júlia Rebouças

    Curadora do Inhotim


    arteBabette Mangolteinauguração

    Leitura: 4 min

    Sobre olhar como ação

    Sobre olhar como ação

    Quando entrei na sala da galeria Mata onde está exposto um conjunto de obras de Babette Mangolte, chamou-me a atenção a imagem de um rosto masculino, num aparelho de televisão. Richard Serra, filmado sobre um fundo azul – um dos poucos elementos cromáticos da sala – parece fitar o espectador. Ele carrega expressão séria, quase imóvel, e observa quem o olha, observa a lente. No monitor ao seu lado, em preto e branco, está a imagem de Yvone Rainer, mais descontraída, com uma faixa na cabeça e brincando com uma fita adesiva sobre seus lábios. Mas o seu retrato também encara a câmera. Os dois aparelhos, posicionados no centro da sala, convertem-se para mim numa bonita metonímia sobre o processo de trabalho e de pesquisa da artista ali exibida monograficamente. Quando olha para o outro, Babette Mangolte nos revela a sua própria matéria subjetiva.

    Francesa radicada nos Estados Unidos, Babette acompanhou e registrou em filme, vídeo e fotografia a importante cena de dança, teatro e arte que floresceu sobretudo nos anos 1970 na cidade de Nova York. Os reflexos das experimentações realizadas naquele momento viriam a impactar definitivamente os rumos tomados pela arte. O arquivo generoso e plural que a artista construiu, mais do que simplesmente documentar um período histórico, propõe uma inflexão criativa e crítica que constitui a memória daquele tempo.

    Babette Mangolte - Touching III with collage III, 2013Babette registrou em filme, vídeo e fotografia a cena de dança, teatro e arte, sobretudo em Nova York nos anos 70 Foto: Rossana Magri

    Numa conversa durante a montagem, a artista comentou o impacto das primeiras exibições do filme Water Motor (1978). Nele, a coreógrafa Trisha Brown aparece dançando por sete minutos. Sem figurino, sem cenário, sem música, apenas o corpo em movimento, representado no compasso desacelerado da câmera lenta. Nas palavras da Babette, aquela era uma imagem de tamanha abstração, fora de qualquer suporte narrativo, que parecia impossível de ser contemplada nos idos anos 70.  Foi preciso que gêneros como o videoclipe se popularizassem nas décadas seguintes para que essas manifestações pudessem ser compreendidas numa escala maior. A forma de olhar era tão desafiante que se equivalia à radicalidade da própria dança. 

    * Júlia Rebouças é curadora no Inhotim desde 2007.

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    17 de dezembro de 2013

    Redação Inhotim


    brumadinhocomunidadehistória

    Leitura: 2 min

    O lugar certo

    O lugar certo

    Brumadinho completa hoje 75 anos e se tornou uma das cidades brasileiras mais citadas na imprensa nacional e internacional. Para além de abrigar o Inhotim, o que lhe tem rendido a notoriedade dos grandes destinos turísticos do país, a cidade guarda um rico patrimônio cultural e natural.

    A população de cerca de 35 mil habitantes é formada por pessoas generosas e acolhedoras. As tradições religiosas e culturais das comunidades quilombolas da região são vivenciadas com o vigor de quem mantém no cotidiano o orgulho das raízes africanas. A vocação musical da cidade ganha vários ritmos nos instrumentos de suas bandas centenárias e nas vozes dos diversos corais que reúnem crianças, jovens e adultos.

    A natureza também foi bastante generosa com a cidade. Dois importantes biomas do mundo, a mata atlântica e o cerrado, se encontram no mar de montanhas do território de Brumadinho. Durante boa parte do ano, as brumas encobrem as montanhas e a cidade e os dias se iniciam com um ar leve e fresco.

    Logo, onde mais poderia estar o Inhotim? Em nenhum outro lugar do mundo. Por isso, nos orgulhamos de fazer parte dessa história.

    Homenagem do Instituto Inhotim pelos 75 anos de Brumadinho. 

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    11 de dezembro de 2013

    Luiza Verdolin

    Integrante da equipe de Educação Ambiental do Inhotim


    artebienalLucy SkaerPorto Alegre

    Leitura: 3 min

    Bienal do Mercosul 2013

    Bienal do Mercosul 2013

    A Bienal do Mercosul de 2013 esteve surpreendente! A calorosa Porto Alegre fez jus ao título da 9ª edição do evento: Se o clima for favorável. Sendo esta uma pergunta, a resposta é positiva; caso tenha sido uma afirmativa, foi a mais coerente possível; se esta foi uma condição, isso justifica a incrível experiência acarretada. Ao percorrer os museus, instituições e espaços que abrigavam obras e foram berços de performances, a linha tênue entre a arte e a natureza se reforçava, trazendo uma deliciosa confusão de onde uma começa e a outra termina. A confluência entre materiais, métodos, mitos e ritos confirmou a promessa de um ambiente para defrontar-se com recursos naturais sob uma nova luz, e especular sobre as bases que marcaram distinções entre descoberta e invenção.

    Para aqueles que não tiveram a oportunidade de vivenciar, compartilho aqui uma das preciosidades da Bienal do Mercosul: Tradução da resina. A resina é uma secreção produzida pelas plantas, com finalidades e constituições específicas. Esta se tornou potencial matéria para a produção de diversos bens de consumo como ceras e gomas. Lucy Skaer utilizou resina, como matéria prima de pedras preciosas com 25 quilogramas. A obra produzida por meio da extração de resina de pinus pela fábrica de Celulose Irani, subverte as lógicas da produção industrial e cultural. Neste contexto, o trabalho de Skaer assim como tantos outros da 9ª Bienal do Mercosul, elucida como a arte “re”forma o que a natureza produz, de maneira poética e emocionante!

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    10 de dezembro de 2013

    Rodrigo Moura

    Curador e diretor de Artes e Programas Culturais do Inhotim


    arteinauguração

    Leitura: 3 min

    Risco e poesia

    Risco e poesia

    A chegada das pinturas de Luiz Zerbini a Inhotim, coincidindo com a sala de Juan Araujo e com uma mostra em torno do gênero natureza-morta, evidencia o desejo de mostrar e falar de pintura. Desde a inauguração do pavilhão de Adriana Varejão, em 2008, a pintura não ocupava um lugar de tanto destaque em nossas exposições. Com suas composições intrincadas e referências culturais complexas, as obras figurativas de Zerbini poderiam ser consideradas o ponto focal de sua apresentação na Galeria Praça, reinventando a pintura narrativa – penso na linhagem que vai da pintura religiosa renascentista à pintura histórica do século XIX brasileiro.

    Sua relação com a natureza, entendida como construção do homem, ganha uma relevância especial em Inhotim, onde os limites entre o cultivado e o natural são sempre presentes. Em Mamão Manilha (2012), um mamoeiro resiste num canteiro de obras que inclui uma pintura de Hélio Oiticica. Em Mar do Japão (2010), o contrário: são vestígios humanos que subsistem numa paisagem marinha entrópica. Os quadros geométricos e as colagens-esculturas que completam a sala mostram a inquietude do artista nos últimos dez anos de sua produção. Ao mesmo tempo lenda e exceção entre os pintores brasileiros dos anos 1980, por sua pintura solar, tropical e exuberante, Zerbini acumula 30 anos de arte mostrando que sem risco não há poesia.

    Obras de Luiz Zerbini na Galeria praça. Foto: Ricardo Mallaco

    As obras de Luiz Zerbini podem ser vistas na Galeria Praça. Foto: Ricardo Mallaco

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    19 de novembro de 2013

    Redação Inhotim


    botânicatamboril

    Leitura: 3 min

    No coração do Inhotim

    No coração do Inhotim

    Não é necessário caminhar muitos metros dentro do Inhotim para dar de cara com uma das maiores e mais belas árvores do parque: o Tamboril. Ponto de encontro popular entre os visitantes, a espécie está localizada na área central do Instituto, convidando quem passa por perto a tirar uma foto, descansar sob a sua sombra ou mesmo admirá-la por alguns minutos.

    A história do Tamboril, ou Enterolobium contortisiliquum, se confunde com a história do próprio Inhotim. Acredita-se que o exemplar tenha entre 80 e 100 anos de vida, representado, assim, um dos mais antigos do acervo. Plantada no mesmo local desde a época em que a região era apenas uma vila, a árvore dá nome a um dos restaurantes do parque além de estampar peças de cerâmica produzidas no local.

    O Tamboril é uma espécie abundante e decídua, ou seja, que perde sua folhagem de tempos em tempos. Alcança, em média, de 20 a 35 metros de altura e possui de 80 a 160 centímetros de diâmetro de tronco. É uma árvore de rápido crescimento inicial e muito apropriada para áreas de reflorestamento. Seus frutos são recurvados e semilenhosos, em formato de rim ou de orelha, o que lhe rendeu diversos nomes populares ao longo dos anos, dentre eles “orelha de macaco”. Cada um desses frutos pode conter de duas a doze sementes brilhantes e de cor marrom.

    Apesar de grande e espessa, a madeira do Tamboril é leve, macia e pouco resistente. Dessa forma, é comumente utilizada para a fabricação de canoas, brinquedos, compensados e caixotaria em geral.

    Como é uma árvore encontrada próxima de rios, antigamente as lavadeiras utilizavam as sementes e cascas do Tamboril para lavar suas roupas, já que nelas são encontradas propriedades saponinas. Hoje em dia, várias instituições pesquisam mais a fundo a Enterolobium contortisiliquum. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, descobriu uma proteína extraída da semente da espécie que demonstrou em ensaios uma potente ação antitumoral, anti-inflamatória, anticoagulante e antitrombótica.

    Nome popular: Tamboril ou “Orelha de Macaco”

    Nome Científico: Enterolobium contortisiliquum

    Família: Fabaceae

    Ocorrência: Florestas pluviais e semidecíduas do norte ao sul do Brasil

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