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  • 24 de março de 2015

    Lilia Dantas

    Supervisora de Arte e Educação do Inhotim


    botânicajovens agentes ambientaismeio ambiente

    Leitura: 3 min

    Protagonistas da transformação

    Protagonistas da transformação

    Desde 2008, o projeto Jovens Agentes Ambientais oferece um programa de formação a moradores de Brumadinho, estimulando o entendimento sobre questões ambientais e a adoção de comportamentos mais saudáveis em relação ao ambiente e ao uso dos recursos naturais. Ao longo dos encontros, discutimos assuntos que ultrapassam o conteúdo escolar e se aproximam do aspecto político e social das questões mais urgentes relativas ao meio ambiente e sua conservação.  Nesse processo de descobertas, o Inhotim e seus acervos se transformam em um grande laboratório de pesquisa e experimentação, um espaço que promove o encontro com o desconhecido e o incomum, uma ferramenta para o conhecimento e para a ampliação de horizontes.

    Ao longo dos meses, nos concentramos em pesquisar e adotar atitudes que contribuem com o bem estar socioambiental, seja no ambiente-rua, no ambiente-casa, ou no ambiente-escola.  Fazendo esse exercício, logo percebemos que há muito ao nosso redor que deve ser cuidadosamente observado e transformado. No JAA, o principal motor para essa transformação é, sem dúvidas, a energia e a criatividade destes jovens que, juntos, propõem ações que nos provocam a refletir e a reconsiderar nossos hábitos mais comuns.

    Como educadores, desejamos provocar o jovem a se perceber protagonista da sua própria experiência no lugar onde vive. Entendemos que são muitas as oportunidades que temos de mudar a relação entre homem e ambiente, por isso exercitamos a habilidade de identificá-las e de atuar sobre elas em qualquer escala – Transformar o mundo no quintal de casa, nas calçadas da cidade, ou em meio à mata.

    Em 2015,  25 jovens da rede pública de ensino de Brumadinho vão participar do projeto. Em um calendário anual de atividades, o Jovens Agentes Ambientais vão participar de encontros no Inhotim, pesquisas de campo em Brumadinho e seus distritos rurais, encontros com técnicos e especialistas da área ambiental, além de ações planejadas e executadas pelos alunos no espaço público.

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    20 de março de 2015

    Lorena Moreira


    botânicadia da águameio ambiente

    Leitura: 2 min

    Semana da Água Inhotim

    Semana da Água Inhotim

    Pensar em água nos remete a muitas lembranças agradáveis: as cachoeiras de Minas Gerais, a água fresca que sacia a sede, o ventre da nossa mãe, a praia, a chuva e muito mais. Entretanto, devido à poluição e assoreamento de rios, desmatamentos e desperdícios, atualmente, a temática escassez de água está em pauta nas discussões ambientais. São, principalmente, nos momentos de crise que lembramos que a água é um recurso finito e escasso. Pensando nisso, a Semana da Água do Inhotim trás considerações importantes sobre essa temática!

    Você sabia que o Brasil possui 12% da água doce superficial do planeta? Imaginava que se toda água do mundo coubesse numa garrafa de 1 litro, apenas meia gotinha estaria disponível para beber? No Circuito Água é possível descobrir curiosidades e aprender as diversas formas de armazenagem de água das espécies botânicas presentes no acervo botânico do Instituto Inhotim.

    Muitas descobertas esperam pelos visitantes no Espaço Ciência. Além de conhecer parte da coleção de plantas aquáticas do Jardim Botânico Inhotim, o público tem a oportunidade de ver de perto, através da lente de lupas e microscópios, animais, vegetais e protozoários que dependem da água para viver.

    Foto: Rossana Magri

    Foto: Rossana Magri

    Confira a programação, participe da Semana da Água Inhotim e aprenda como fazer a sua parte para a preservação da água.

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    04 de março de 2015

    Walter Sebastião


    arteexposição

    Leitura: 8 min

    Vasto Mundo

    Vasto Mundo

    * O texto abaixo foi escrito pelo jornalista Walter Sebastião para o caderno EM Cultura, do Jornal Estado de Minas. Publicado em 03/03/2015

    Uma característica palpável da arte é que ela, com o tempo, muda, conforme ensina o italiano Lionello Venturi no belo livro ‘História da crítica de arte’. Ou seja: a arte, em outros tempos do mundo, foi diferente (no que se refere a práticas, conteúdos, formas, conceitos, materiais etc.) do que é hoje e, quase certamente, do que ela será no futuro.

    Em linhas muitos gerais, o objeto artístico, como conhecemos no Ocidente, teria sua “origem” em peças com função utilitária que se destacavam pelos cuidados de elaboração, pelo material empregado em sua realização, pela beleza ou pela singularidade de suas formas. Preservadas por esses motivos, essas peças acabaram gerando um acervo que induziu à produção de objetos que deixaram de lado a dimensão de uso para se concentrar apenas em especulações estéticas.

    Eis um processo não linear, longo, complexo, que carrega outra transformação: a troca da representação de heróis, narrativas e tempos míticos pela exaltação de homens notáveis – reis e santos, especialmente, mas não só. A aproximação do cotidiano (e do tempo contemporâneo dos artistas) se dá de modo contínuo. Mais tarde, esse processo engendra a troca de personagens aristocráticos e da elite econômica (e os hábitos deles) por representação das vivências, dramas e percepções do cidadão “comum”.

    Embora a origem do objeto de arte pareça abstrata, é fácil perceber sua concretude, por exemplo, no caso dos grandes artistas do barroco-rococó brasileiro –, produtores de uma arte que ainda tinha um função utilitária (no caso, religiosa), mas que também já exercitavam com desenvoltura valores estritamente artísticos.

    Vale a pena ter esses aspectos em consideração no momento em que uma exposição – “Do objeto para o mundo – Coleção Inhotim“, curadoria de Rodrigo Moura e Inês Grosso, em cartaz até o próximo domingo, no Palácio das Artes, e no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia –, foca as transformações da arte (e registra os 10 anos de atividade do Centro de Arte Contemporânea Inhotim).

    ESTRATÉGIAS O foco dessa exposição está sobre trabalhos de arte que aspiram a ser acontecimentos (no mundo) e não representações deles. São criações dos últimos 50 anos que se valem de várias estratégias. Tanto há peças que impõem sua presença física no espaço real quanto ações, as mais diversas, que interpelam a noção de arte como objeto. Há, ainda, trabalhos que se abrem para interação com o espectador. Esses, que são motivos onipresentes em grande parte da coleção Inhotim, estão apresentados na exposição de forma sintética.

    O tema da exposição (do objeto para o mundo) está nítido na Grande Galeria. Ali, ele é mostrado com uma reunião de trabalhos tão saborosa – pela qualidade das obras e pela diversidade de pontos de vista – que “esvazia” de supresas os outros espaços. Mas todas as galerias têm ótimas obras. Esse mérito advém do fato de Inhotim ter um acervo admirável, que foi definido e construído com rigor conceitual e senso histórico, mas especialmente com sensibilidade.

    Os curadores demonstram gosto por criar diálogos (inclusive entre gerações) e paixão em apresentar descobertas. É de emocionar o resgate de intervenção do mineiro Décio Novielo, dos anos 1970, inclusive com filmes de época. Assim como a atenção dispensada ao Livro da criação, uma das mais belas obras da carioca Lygia Pape. E ainda a criação de um ambiente adorável (apenas com portfólio e dois vídeos preciosos) para se conhecer melhor um artista especial: o norte-americano Chris Burden.

    Do Objeto para o Mundo - Coleção Inhotim. Foto: Eduardo Eckenfels

    Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim. Foto: Eduardo Eckenfels

    É um cuidado que ajuda a ir tecendo uma história com a produção recente, mas também com trabalhos que, por muito tempo, foram relegados e esquecidos nos ateliês dos artistas. Trazer estas obras e autores à cena joga luz sobre a singularidade do trabalho desenvolvido por Inhotim. A instituição, na prática, vem se constituindo como um museu contemporâneo de arte e não simplesmente como um museu com acervo de arte contemporânea.

    INTERPELAÇÃO Com pensamento e a criação de uma estrutura física, o Inhotim vem aprofundando um modo específico de apresentar trabalhos importantíssimos dos últimos 50 anos, sem “trair” o que eles têm de essencial: uma poética de interpelação de todas as convenções artísticas, que redefiniu o que entendemos como arte. Essa postura alcança uma proeza: dar vida, potência, vibração à arte que, ousadamente, é e quer ser diferente. São criações de autores que, às vezes, até estão nos museus de arte contemporânea (mas não com seus trabalhos e ideias mais ousadas), ou cobertos pela poeira de museografias (e visões históricas) convencionais, o que tinge as criações de uma melancolia que não é delas.

    As inovações de Inhotim, em todos os aspectos, trazem um problema que merece ser registrado: acostumados aos prazeres trazidos pelas mostras realizadas em Brumadinho, em condições que provaram ser as ideais para a boa fruição da produção de arte contemporânea, como se acostumar (ou voltar) a arquiteturas tradicionais dos museus? E ainda: será que dá para fruir obras que pedem mais do que apenas empatia ótica, em ambiente tão congestionado (de tudo), como o Centro da cidade, por exemplo, às 18h de um dia de semana?

    Por enquanto, a resposta a essas perguntas, especialmente à última, é: respire fundo e paciência. Veja (e reveja) a exposição com calma, com catálogo na mão, lendo textos e créditos nas paredes, aspectos que também são essenciais no padrão de excelência estabelecido por Inhotim.

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    10 de fevereiro de 2015

    Jorge Mautner


    visita

    Leitura: 5 min

    Viagem ao centro da Terra

    Viagem ao centro da Terra

    Antes de chegarmos ao Inhotim, já estávamos deslumbrados pela paisagem de tanta beleza que nos cercava. Deu até tempo de falar da magnífica história da insurreição de Minas Gerais e, meu entusiasmo era tanto, que repeti várias vezes o fato de o ouro e a prata de Minas Gerais terem financiado e feito toda a industrialização da Europa.

    De repente, chegamos a um hotel maravilhoso e, no dia seguinte, fomos conhecer o lugar onde tocaríamos eu, Bem Gil e Jards Macalé. Eis que entramos no jardim do paraíso do século 21! Estávamos no Inhotim. Fomos recebidos pelo Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto, e lá estava também Adriana Rattes, na época secretária de cultura do estado do Rio de Janeiro.

    Passamos o som enquanto ficávamos olhando aquela deslumbrante mistura entre a paisagem humana e a paisagem de plantas, árvores, flores, lagos, pássaros, irmanando-se com as várias arquiteturas daquele imenso lugar, que leva para ser visitado em quase a sua total extensão, no mínimo, três dias de intenso programa de passeios a lugares que, uma vez conhecidos, ficam para sempre na memória do coração.

    Isso sem falar nos inúmeros lugares onde há surpresas, como os imensos pavilhões que registram a obra de geniais artistas plásticos, pintores, fotógrafos, escultores e coisas de extraordinário valor artístico, inspirando e se integrando com as artes da natureza esplêndida desse imenso parque, monumento, lugar sublime, lugar de iluminações da alma, onde a poesia jorra por todos os lados, se entrelaçada a todas essas belezas, inclusive com a beleza do profissionalismo dos funcionários e a beleza da doçura e do carinho com que tratam os visitantes.

    Mas o lugar que mais nos impressionou, entre todas essas maravilhas de impacto atômico em nossos neurônios, foi aquela imensa cúpula que, quando adentramos nela, estávamos num lugar extraordinário, pois, ali, a ciência se enlaça com a arte e a música de todos os mistérios: é que quem lá entra, ouve o som que existe no fundo da Terra. Mas não é apenas um som: são sinfonias, melodias, urros, gritos, ondas sonoras, é a voz e as vozes das entranhas do planeta. Era a obra Sonic Pavilion (2008), do artista Doug Aitken. Ficamos lá mais de uma hora atônitos, transfigurados, ouvindo aquela sinfonia infinita que, a cada instante, ora urrava, ora sussurrava, junto a melodias de todas as dimensões, mostrando, em tom absoluto, a vida, as vidas, os movimentos ininterruptos dos interiores, dos intestinos e das vísceras de nosso planeta, urrando, chorando, rindo, cantando, entoando mistérios de belezas do ventre da mãe Terra, de todo o universo, e desse parque onde mora o Deus desconhecido!

    "Sonic Pavilion", 2008, de Doug Aitken. Foto: Pedro Motta

    “Sonic Pavilion”, 2008, de Doug Aitken. Foto: Pedro Motta

    Eu estava tão impactado por essa visita que dava vontade de chorar de emoção e de rir de felicidade ao mesmo tempo, e parabenizei o criador desse projeto, Bernardo Paz, por essa obra prima da humanidade, do Brasil, e de todos nós que tivemos a graça divina de conhecê-lo. É um lugar de meditações profundas e de revelações misteriosas. E, olhando a paisagem de verde-esmeralda das plantas e das árvores, durante o passeio por trilhas, eu via em relâmpagos de segundos a imagem de Tupã Deus do Brasil fulgurando.

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    02 de fevereiro de 2015

    Redação Inhotim


    comunidadeeducaçãomeio ambiente

    Leitura: 4 min

    Inhotim: um lugar de descobertas

    Inhotim: um lugar de descobertas

    Nada de carteiras enfileiradas, tarefa para copiar do quadro ou hora certa de fazer perguntas. Ao redor, microscópios, lupas e espécies vegetais desconhecidas. Estamos no Espaço Ciência: um lugar de educação não formal. Aqui, não há limites para a curiosidade.

    Se você olhar pra trás, provavelmente vai concordar que as experiências mais marcantes da sua vida escolar foram inusitadas, irreverentes ou curiosas. Desde a criação do projeto Espaço Ciência Itinerante, em 2012, mais de 16 mil alunos entre 6 e 14 anos da rede pública de ensino de Minas Gerais já passaram por momentos como esses e aprenderam sobre ciência e educação ambiental colocando a mão na massa.

    Os alunos da rede pública de Casa Branca (MG) já participaram do projeto. Foto: Rossana Magri.

    Os alunos da rede pública de Casa Branca (MG) já participaram do projeto. Foto: Rossana Magri.

    Funciona assim: primeiro, os educadores do Instituto passam dois dias na escola. É o momento de apresentar a parte teórica. Mas, nesse projeto, não há lugar para a monotonia. Com a ajuda de biorréplicas e instrumentos científicos, as crianças já começam a se familiarizar com o trabalho de campo.

    Em seguida, é hora de partir para o Inhotim. Entrar no parque é experimentar um novo mundo. As mais de 5 mil espécies da coleção do Jardim Botânico Inhotim representam 28% das famílias botânicas conhecidas do planeta. A disposição das plantas em um projeto paisagístico que não existe em nenhum outro lugar do mundo encanta visitantes de todas as idades. Deu pra imaginar o quanto esse momento é especial para os pequenos exploradores? Assista ao vídeo:

    Saindo do parque, os alunos já se tornaram jovens educadores. Stéphany Keroly, 9 anos, conta o que descobriu:

    “Eu aprendi que não devemos desmatar a natureza e que os animais precisam da sombra da árvore. Aprendi também que através das folhas é que as árvores respiram o ar sujo e liberam o ar limpo. As árvores são cheias de canudos e que, quando são cortadas, a cidade fica desmatada. Já o cocô da minhoca é muito nutritivo para as plantas.”

    Núbia Silva, também com 9 anos, alerta:

    “Não devemos maltratar as plantas porque até os animais cuidam delas, então, devemos cuidar também. Não cuidar dos rios causa erosão, deslizamento e pode acabar matando a gente.”

    Foto: Daniela Paoliello

    Foto: Daniela Paoliello.

    Deu vontade de voltar à infância? Não se preocupe. Em algumas ocasiões do ano, o Espaço Ciência é oferecido também para os visitantes do Inhotim, como parte da programação gratuita do parque. É só ficar atento ao calendário quando for agendar a sua próxima visita.

    Em 2014, o projeto Espaço Ciência contou com o patrocínio da Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

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