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  • 19 de abril de 2016

    Redação Inhotim


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    Leitura: 5 min

    Desenhos feitos por índios Yanomami revelam mitos e tradições

    Desenhos feitos por índios Yanomami revelam mitos e tradições

    Inaugurada em novembro de 2015, a Galeria Claudia Andujar apresenta uma ampla seleção de fotografias da artista, realizadas nos períodos em que viveu com os índios Yanomami. Curiosa para conhecer a cultura da tribo, a fotógrafa propôs algo inusitado. Ofereceu papel e pinceis atômicos a um grupo de indígenas e pediu que desenhassem seu habitat, mitos e tradições. Eles nunca haviam tido contato com esses materiais. O resultado da experimentação, realizada ainda na década de 1970, também pode ser visto na exposição inaugural do pavilhão.

    Os desenhos reunidos na mostra foram realizados por quatro artistas – André, Poraco, Vital e Orlando – e revelam aspectos diversos da vida dos Yanomami, narrativas de mitos, além de padronagens comuns às pinturas corporais e à decoração de objetos. Em Sem título (Yoassi grávido), 1976, Poraco apresenta sua percepção da geração de um dos filhos de Omama, divindade responsável pela criação do universo. Já em Sem título (Fazer muito amor com a mulher), 1976, do mesmo artista, linhas e pontos representam de maneira abstrata a relação sexual.

    Da esquerda para a direita, no segundo quadro é possível ver a representação Sem título (Fazer muito amor com a mulher). Foto: William Gomes

    Da esquerda para a direita, no segundo quadro é possível ver a representação Sem título (Fazer muito amor com a mulher). Foto: William Gomes

    A curadora assistente do Inhotim, Cecília Rocha, explica que a presença desses trabalhos em um centro de arte contemporânea ajuda a ampliar a ideia do que é arte. “Temos o costume de definir arte a partir da tradição europeia. Desde o final da década de 1980 e o início dos anos 1990, alguns grandes museus têm feito tentativas de mostrar trabalhos de fora dos centros hegemônicos. O movimento de olhar para a produção indígena como fizemos aqui vem desse momento. A proposta, é contar uma outra história da arte, baseada em outros temas e formas de produzir”, reflete.

    Mitopoemas Yanomami

    Os desenhos criados por incentivo de Andujar também deram origem ao livro “Mitopoemas Yãnomam”, que pode ser visto na exposição. À medida que os indígenas finalizavam as imagens, a artista pedia que narrassem o que haviam criado. Com a ajuda do missionário Carlo Zacquini, que gravou e traduziu as descrições, ela organizou a publicação, que apresenta a mitologia e a visualidade Yanomami.

    Claudia Andujar no Inhotim

    Ao longo de 40 anos, a fotógrafa Claudia Andujar produziu um extenso arquivo de imagens sobre os Yanomami, povo indígena que vive na Amazônia brasileira, no estado de Roraima. As fotografias, feitas durante diversos períodos de convívio com os índios, são parte de uma ampla pesquisa artística e etnográfica desenvolvida por ela. No Inhotim estão expostas mais de 400 imagensl que revelam a aproximação da artista com os Yanomami e também seu ativismo, fundamental para a demarcação de terras indígenas em 1992.

    Claudia Andujar viveu entre os índios por cerca de 30 anos, tempo em que retratou seu ponto de vista diante da realidade da tribo Yanomami. Foto: William Gomes.

    Claudia Andujar viveu entre os índios por cerca de 30 anos, tempo em que retratou seu ponto de vista diante da realidade da tribo Yanomami. Foto: William Gomes.

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    15 de abril de 2016

    Redação Inhotim


    artebrumadinhocomunidadeeducaçãomeio ambiente

    Leitura: 6 min

    Um passeio pelo passado do Inhotim

    Um passeio pelo passado do Inhotim

    A rota amarela é a mais antiga do mapa do Inhotim, onde funcionava a sede da fazenda que deu origem ao Parque. Atualmente, o espaço onde era a antiga fazenda foi adaptado e hoje é usado para realização de eventos, com salas e escritórios. Ao redor, a árvore Tamboril – um dos 30 destaques botânicos do Instituto – se confunde com a história do próprio Inhotim. Acredita-se que o exemplar tenha sido plantado entre as décadas de 1930 e 1940, quando a região ainda era uma vila, representando assim um dos mais antigos do acervo. Caminhar pela rota amarela é uma chance de ter contato com o passado do Instituto.

    Preparamos uma lista de curiosidades que podem servir de inspiração para o seu próprio roteiro e para que você conheça um pouco melhor o Inhotim e toda sua trajetória.

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    1 – Rivane Neuenschwander – A casa branca que abriga a obra “Continente/Nuvem” é a mais antiga construção da fazenda, com cerca de 140 anos de existência. O lugar se tornou ainda mais especial por ter sido, durante um bom tempo, usado como espaço principal do Educativo do Inhotim. Lá, os encontros semanais aconteciam com os grupos de jovens integrantes do projeto. A obra da artista mineira é um exercício poético de ver desenhos nas nuvens, olhando para o teto da casa. A dica é visitar o espaço de manhã e depois voltar no fim da tarde para admirar as diferentes formas que aparecem em sintonia com o vento. Do lado de dentro, não deixe de reparar nas janelas emoldurando o bonito jardim plantado fora da galeria.

    2 – Galeria Mata – Foi a primeira construída no Inhotim. O espaço já abrigou várias exposições temporárias que deixaram marcas no espaço. A obra “Viewing Machine”, de Olafur Eliasson, e “Palindromo Incesto“, trabalho de Tunga que foi um dos primeiros a integrar a coleção do Instituto, “Seção Diagonal”, de Marcius Galan, e “Falha”, de Renata Lucas, já ficaram neste pavilhão. Atualmente, a galeria abriga a exposição temporária “Por aqui tudo é novo”, que coloca em evidência produções de artistas mais jovens da Coleção Inhotim, como Pablo Accineli, Erika Verzutti e Sara Ramo, ao mesmo tempo que reapresenta trabalhos como a instalação “Método para Arranque e Deslocamento“, de José Damasceno, anteriormente exposta na mesma galeria, em 2007.

    Vale a pena chegar perto e observar os detalhes das esculturas de John Ahearn e Rigoberto Torres, inspiradas em pessoas reais. Foto: William Gomes.

    Vale a pena chegar perto e observar os detalhes das esculturas de John Ahearn e Rigoberto Torres, inspiradas em pessoas reais. Foto: William Gomes.

    3- Abre a porta e Rodoviária de Brumadinho – Os artistas Rigoberto Torres e John Ahearn passaram cerca de três anos em residência no Inhotim, época em que desenvolveram uma série de trabalhos na comunidade de Brumadinho. As obras em exposição são painéis que conectam o Instituto ao contexto em que ele está inserido. Em “Abre a porta”, uma tradicional celebração é retratada: a procissão dos grupos locais de Congada e do Moçambique. O outro painel surgiu após a experiência dos artistas instalarem na rodoviária da cidade um ateliê como forma de entender e absorver a dinâmica do local. Com o tempo, perceberam que se tratava de um centro de convivência onde até mesmo apresentações de dança aconteciam. Após inspirarem-se em pessoas reais para elaborar as esculturas, surgiu a obra “Rodoviária de Brumadinho”. Todas as esculturas foram inspiradas em pessoas reais.

    Quer saber quais outras obras e destaques botânicos te esperam na rota amarela? Baixe o mapa e visite o Parque sem pressa!

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    12 de abril de 2016

    Redação Inhotim


    arteinhotimprogramação culturalvisita

    Leitura: 3 min

    Amigos do Inhotim tem dedução no Imposto de Renda

    Dúvidas frequentes

    O que é o benefício fiscal de incentivo à cultura?

    Pessoas físicas podem optar pela aplicação de parte de seu Imposto de Renda em projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, considerando os limites e condições estabelecidos na Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet.

    Que valor posso doar com o benefício do incetivo fiscal?

    O valor da doação deve respeitar o teto de 6% do total de imposto devido no ano. Para saber quanto você pode doar, utilize como referência o valor de imposto devido na declaração do ano anterior.

    Quem pode doar e deduzir do imposto de renda?

    Todo cidadão que realiza a declaração anual de Imposto de Renda e utiliza o formulário completo pode fazer a dedução do valor total de sua doação, respeitando-se o limite de 6% do imposto apurado no ano.

    Qual é o comprovante da doação realizada?

    A partir da confirmação do pagamento, o Instituto Inhotim emitirá o Recibo de Mecenato que será enviado por e-mail para o doador com as informações a serem utilizadas no momento de fazer o preenchimento da Declaração Anual de Imposto de Renda. O Recibo também é encaminhado para o Ministério da Cultura, que informa a doação para a Receita Federal.

    Como são aplicados os recursos das doações incentivadas dos Amigos do Inhotim?

    Parte significativa da manutenção do Inhotim, exposições, projetos educativos e programação cultural são viabilizados por meio do Plano Anual de Manutenção e Atividades, aprovado pelo Ministério da Cultural. É para essas ações que os recursos do programa são direcionados.

    Se tiver alguma dúvida no momento de preencher a Declaração Anual, há um guia passo-a- passo disponível em nosso site. 

    Você também pode entrar em contato por meio de nossos canais de atendimento: amigos@inhotim.org.br e 31-3571-9717.

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    23 de março de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Nos bastidores do Inhotim, lixo orgânico é transformado em adubo

    Nos bastidores do Inhotim, lixo orgânico é transformado em adubo

    Todos os dias, às 7h da manhã, a jardineira Maria Aparecida Oliveira vai até o Jardim Veredas para iniciar a varredura das folhas secas. Depois de limpar e podar a parte pela qual é responsável, ela concentra tudo em barris que logo mais serão levados pelo encarregado de jardinagem do Inhotim, Gerlado Farias, para um espaço fora da área do Parque, onde é feito o processo de compostagem. A técnica, segundo ele, recicla o lixo orgânico gerado, como folhas, serragem e sobras dos restaurantes do Instituto, para transformá-lo em adubo. “Assim, toda a matéria retirada volta à natureza em um processo inteiramente natural, transformada em adubo que vai ser usado para o plantio e forração de canteiros do Inhotim”, diz Geraldo.

    No processo de compostagem,  os micro-organismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica, provocando assim a redução das sobras de alimentos e de outros resíduos recolhidos no Inhotim. Neste composto orgânico gerado estão diversos nutrientes minerais necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas, por exemplo nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio.

    As plantas recolhidas pelos jardineiros é levada para espaço onde são trituradas por uma máquina. Foto: William Gomes

    As plantas recolhidas pelos jardineiros são  levadas para espaço onde são trituradas por uma máquina. Foto: William Gomes

    Além de Maria Aparecida, mais 13 jardineiros trabalham neste procedimento dentro do Parque. Depois da varredura, todas as folhas secas recolhidas passam por uma máquina para serem trituradas e distribuídas na primeira camada da compostagem. Logo depois, é adicionado o esterco, a serragem e os restos de alimento, nessa ordem. A última camada é novamente de esterco, finalizando essa parte do processo com um banho de água. De acordo com Geraldo, a partir daí, é necessário fazer um controle de 15 em 15 dias do material acumulado, revirando, adicionando água e fazendo uma mistura de modo que a temperatura da pilha fique em torno de 65°C. “Esse acompanhamento vai acelerar a fermentação e formar o adubo. Em três meses o composto vai estar pronto para ser usado nos jardins”, explica.

    Desde a varredura até o dia em que o composto volta para o jardim em forma de adubo são cerca de 80 dias, tempo necessário para que os micro-organismos possam agir no composto. Assim, com um pouco de paciência, é possível transformar aquilo que parece ser dispensável em um importante composto para ajudar a florir um jardim inteiro.

     

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    14 de março de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Dias de aprendizado nos jardins do Inhotim

    Dias de aprendizado nos jardins do Inhotim

    A chuva se preparando pra cair do céu não foi motivo de desânimo para o grupo de mais de 200  pessoas que esperavam com ansiedade o paisagista Raul Cânovas e o engenheiro agrônomo do Inhotim Juliano Borin para o primeiro Curso de Paisagismo do Instituto, realizado de sexta a domingo no Parque. Gente de diferentes partes do Brasil estavam ali para três dias de prática e reflexão sobre o poder transformador dos jardins. “Não podemos perder a nossa essência. E isso vem, em primeiro lugar, da nossa paisagem. Pensando de uma forma muito simples e simbólica, quando o homem primitivo acorda, a primeira coisa que ele olha é o horizonte, é a paisagem. Devemos valorizar e cuidar disso com carinho”, disse Raul, logo ao iniciar o curso.

    Com bom humor, a dupla deu início ao curso falando sobre o que Raul afirmou ser o pilar do paisagismo, por oferecer, flores, frutos e sombra: as árvores. Segundo ele,  o Brasil é um lugar privilegiado por proporcionar uma “eterna primavera” devido ao seu clima predominantemente tropical que faz possível espécies florescerem o ano inteiro. Juliano usou sua experiência profissional com agronomia em diferentes lugares do Brasil e do mundo para contar mais sobre cuidados, curiosidades e características de diferentes espécies. As palmeiras também foram tema do debate, assim como os arbustos, as trepadeiras e as herbáceas.

    Durante os três dias, os alunos tiveram a chance de passear por entre os caminhos do Parque, observando, junto a Raul e Juliano, as espécies que compõem o Inhotim. O passeio serviu para mostrar como cores, formas e texturas podem inspirar na montagem do jardim de cada um.  Raul explicou sobre a importância em atentar para as diferentes sensações que cada planta desperta dentro das pessoas. A flor branca, por exemplo, é uma boa opção para lugares abertos, provocando o sentimento de frescor quando contrasta com o azul do céu,  ideal para estar perto de piscinas e áreas de lazer. Já a palmeira, passa a sensação de tranquilidade e flexibilidade “se vem uma tormenta, ela se inclina. Pode até quase cair, mas se reergue. Sem contar o fruto, que é puro potássio. Não é atoa que uma pessoa abraça uma palmeira quando se sente angustiada”, pontuou Raul.

    Raul e Juliano também levaram aos alunos debates sobre a organização dos jardins, a importância da presença da curva no paisagismo e os cuidados com a iluminação. Cânovas explicou que evitar um caminho todo reto é importante para incentivar o contato das pessoas com a natureza. “A curva foi uma descoberta para o paisagismo, ela nos remete ao universo, porque te obriga a olhar em volta, a estar consciente do seu próprio caminhar”, disse Raul, sempre de forma poética e serena.

    A dupla concluiu o curso no final da tarde deste domingo com a certeza de ter despertado nos alunos um olhar mais carinhoso e cuidadoso sobre as formas de se fazer um jardim. Durante as aulas, o que ficou do discurso de Cânovas foi a convicção de que as plantas não possuem emoção, mas têm sentimentos. Sentem frio, calor, sede, adoecem… São seres que vivem, transmitem energia e não apenas enfeitam, mas também fazem dos lugares um lugar de aconchego e paz.

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