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O Movimento Neoconcreto e as obras do Inhotim

O Movimento Neoconcreto e as obras do Inhotim

O que se encontra na escuridão da Galeria Lygia Pape no Inhotim? Ao entrar, você se depara com um ordenamento minucioso de centenas de fios metálicos que em algum momento se cruzam, conectados entre o piso e o teto sob uma tímida iluminação. É a obra Tteia 1C (2002), um trabalho que parece ser a materialização da teia imaginária, dos cruzamentos da vida cotidiana que a artista conseguiu demonstrar após refletir sobre qual era a sua relação com espaço em que habitava e sobre como a circulação de pessoas na cidade do Rio de Janeiro era capaz de criar uma conexão entre os cantos da cidade. Por meio do trabalho de Pape, é possível refletir sobre o Movimento Neoconcreto, importante momento da arte brasileira que contou com a participação de artistas como Hélio Oiticica e Amilcar de Castro. O tema guia a visita mediada do mês de fevereiro no Inhotim.

Não se tratando somente de uma disputa histórica entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo (sede dos artistas concretistas), o Movimento Neoconcreto partia da subjetividade do artista e da possibilidade da experiência física da obra de arte ante à arte tida como racional e dogmática dos artistas paulistanos da década de 1950. Antes de questionar se esse foi um movimento de superação a outro, é importante refletirmos sobre o período em que o concretismo se consolidou. O Brasil, e principalmente a cidade de São Paulo, passava por um processo de intensa urbanização e industrialização, o que acabou refletindo nas produções artísticas daquele momento.

A partir da Exposição Nacional de Arte Concreta realizada na cidade de São Paulo, em 1956, um certo grupo de artistas dá sinal de um futuro rompimento, em prol de outros ideais. Em março de 1959, é publicado no Rio de Janeiro o manifesto neoconcreto. Esta publicação teve como autores os artistas Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reinaldo Jardim e Theon Spanudis. O fim da década de 1950 se tornava, então, o grande marco de uma nova forma de se expressar artisticamente.

Magic Square, obra de Hélio Oiticica.

Magic Square, obra de Hélio Oiticica.

Posteriormente, o movimento contou com a adesão do artista Hélio Oiticica, que, mesmo sem a sua assinatura, participou da elaboração do manifesto neoconcreto. Com seus parangolés e penetráveis, Oiticica buscava um outro modo de experienciar a arte. As cores passaram a ser característica marcante tanto nas produções como nos experimentos do artista. Nesse movimento, o espectador ganhou um outro papel que não somente o de observar o trabalho, passando também a interagir para além do visual, e Lygia Clark é uma das pioneiras na arte tida como participativa. A partir daí, os trabalhos só fariam sentido com a interação e participação do espectador.

As novidades/conceitos/transformações do neoconcretismo, portanto, não se limitaram a este seleto grupo de artistas e acabaram influenciando as criações de tantos outros, por isso o neoconcretismo representa um importante marco na história da produção artística brasileira. No Inhotim, é possível conhecer trabalhos que foram importantes influências nesse processo. Em algumas galerias do Instituto, encontram-se obras que dialogam com a proposta da arte não puramente como um objeto de contemplação, mas também como algo que apresenta subjetividade e lirismo. Dentre os artistas que buscaram essa outra relação com a arte e que estão em exposição no Inhotim, podemos destacar Hélio Oticica, Lygia Pape, Amilcar de Castro e Lygia Clark.

As visitas mediadas de fevereiro são gratuitas e levam os visitantes a conhecerem um pouco mais sobre esse momento da arte e as obras do Inhotim.

Data: 04 de janeiro a 26 de fevereiro (quartas, sábados, domingos e feriados)
Horário: 10h30
Local: Saída da Recepção

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